
O presidente Lula (PT) ligou nesta terça-feira (24) para a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), após uma chuva histórica deixar ao menos 23 mortos na Zona da Mata Mineira. A região foi declarada em estado de calamidade pública. Lula ofereceu recursos e equipes do governo federal para auxiliar o município.
“O [ministro da Saúde, Alexandre] Padilha já está mandando gente aí. O [ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional] Waldez Góes também, a Defesa Civil já está indo para aí, querida. Você pode contar com 100% do nosso apoio”, disse Lula para a prefeita.
A geografia de Juiz de Fora ajudou a intensificar a chuva que já deixou mais de 20 mortos e dezenas de desaparecidos na cidade e em Ubá, a pouco mais de 100 km de distância. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, o relevo acidentado da Zona da Mata funcionou como um “gatilho local”, potencializando um cenário atmosférico já favorável a temporais de verão.
Grande parte de Juiz de Fora é formada por morros e serras, com altitudes que variam de cerca de 470 metros a quase 1.000 metros. A cidade está situada em uma espécie de vale cercado por paredões naturais, configuração que favorece o confinamento de nuvens de chuva quando sistemas meteorológicos estão direcionados para a região.
Nesta segunda-feira (23), a cidade enfrentou um temporal que acumulou mais de 190 milímetros de chuva em oito horas. No mês, o município já acumulou quase 600 mm. A chuva tem relação com uma série de fatores meteorológicos que atuam sobre todo o Sudeste, mas que ganharam força com o relevo local.
Nos últimos dias, uma frente fria ficou estacionada no litoral do Sudeste. Essa frente, embora não fosse intensa, ajudou a canalizar um corredor de umidade vindo da Amazônia. Esse fluxo atravessou o Sudeste, passou por Minas Gerais e alimentou as nuvens sobre a região.
Ao mesmo tempo, o oceano na região está até 3 °C mais quente que a média, com temperaturas próximas de 29 °C. A água mais quente aumenta a evaporação e a quantidade de umidade disponível na atmosfera, funcionando como combustível para a formação de tempestades.
Esse ambiente é comparável a uma panela de água no fogo: quando a água ferve, a gente sabe que ela vai borbulhar, mas não exatamente onde surgirá a próxima bolha. Esse processo acontece também na atmosfera e é chamado de convecção.
Ao mesmo tempo, a entrada de ventos mais frios e úmidos vindos do oceano favoreceu o encontro entre ar quente e ar frio, intensificando a formação de nuvens do tipo cumulonimbus, associadas a temporais fortes. Elas podem se espalhar ou se concentrar no mesmo local, dependendo das condições do terreno.
Nessa analogia, as bolhas são como as nuvens, que acabam surgindo mais carregadas em uma área do que em outra. Em Juiz de Fora, os morros forçaram a subida do ar úmido, favoreceram a formação de nuvens mais carregadas e contribuíram para que o temporal permanecesse sobre a cidade por horas.
“A interação desse cenário de grande escala com o relevo na pequena escala faz com que, em algumas áreas, haja nuvens mais carregadas. Ou seja, o relevo acaba fazendo a chuva ser mais intensa e mais concentrada”, explica o meteorologista do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Giovani Dolif.
Ver essa foto no Instagram




