
A cidade de Cardeal da Silva foi o primeiro município da Bahia a implantar a moeda municipal, segundo informou a advogada e procuradora Jessica Ferreira ao Blog do Valente. Ela apresentou a experiência em Santo Antônio de Jesus durante audiência pública na noite desta segunda-feira (23) e reforçou que, com a criação da moeda, o dinheiro permanece na cidade e fortalece o comércio local, mesmo sendo inicialmente algo novo.
“Foi algo que deu certo, porque o dinheiro ele parou de sair da cidade, ele fortaleceu quem de fato tem que ser fortalecido, que é o comércio local.”
A procuradora deu detalhes de como funciona a proposta que pretende ser implantada em Santo Antônio de Jesus. Ela disse que todos os programas do governo são transformados na moeda local, chegando à mão do beneficiário na forma de crédito para uso no comércio da cidade.
“Então, lá nós começamos com programas sociais, os benefícios que já existiam no município, como o Bolsa Família Municipal, o Bolsa Leite, e nós transformamos em mineral. Mineral é o nome da moeda. Então, quando falamos em desenvolvimento econômico, falamos do turismo, falamos da agricultura, falamos da economia solidária, falamos do comerciante, falamos das famílias em situação de vulnerabilidade, porque elas precisam sair dessa situação de vulnerabilidade. E lá, iniciamos com dois auxílios e hoje já estamos em mais de sete. Então, cresceu porque essa é a tendência quando se tem um banco municipal.”, afirmou.
Jessica Ferreira afirmou ainda que a cidade tem 99% do comércio cadastrado na moeda municipal.
“Cardeal da Silva tem 99% do comércio todo cadastrado porque todo comerciante foi a favor. Não é muito inteligente ser contra algo que vem para te apoiar. Então tivemos esse receio, nós começamos lá com 75 comerciantes cadastrados, então foi muito grandioso. Hoje temos 99 e temos 99 porque não tivemos ainda como ir até a zona rural, porque a demanda está tão grande que a gente está indo aos poucos. Então o próximo passo é implementar para os feirantes aceitarem a moeda, porque eles já estão procurando, e depois na zona rural. Aí sim teremos 100% de adesão. E o uso da moeda social lá, no caso, é um uso comum, como a moeda tradicional. Pode ser feito PIX, pode ser feito depósito, transferências, como é que é. Existem várias modalidades de usuário.”
Como funciona — Existe o usuário que tem a conta pessoal, aquele que abre voluntariamente sua conta. Esse usuário, para ter acesso à moeda, pode fazer depósito por Pix, criar chave aleatória e transferir da conta do banco tradicional para o aplicativo.
Já o beneficiário de programas sociais não pode realizar outra operação além de pagamento, para que não haja desvio da finalidade, que é manter o dinheiro em circulação no município. Nesse caso, o valor recebido não pode ser sacado.
Os comerciantes cadastrados podem realizar o resgate dos valores. De acordo com a procuradora, no modelo adotado, esse resgate pode ser feito no mesmo dia, convertendo o valor em moeda corrente, a depender da instituição responsável pela gestão do banco municipal.
Ver essa foto no Instagram




