Tarifa adicional de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira

Medida eleva o Brasil ao segundo lugar entre os países mais afetados por tarifas americanas e preocupa o setor produtivo devido aos impactos nas exportações.

Imagem: reprodução/ Molly Riley / White House

A nova tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos entra em vigor na quarta-feira (22).Com a medida, o Brasil se torna o segundo país mais afetado pelas tarifas impostas pelo governo norte-americano, ficando atrás apenas da China. A nova taxação foi anunciada após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

Entre as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos estão supostos impactos do sistema de pagamentos Pix sobre empresas americanas de cartões de crédito e alegações de que o desmatamento no Brasil reduziria os custos de produção agrícola. O governo brasileiro contesta os argumentos, afirmando que os índices de desmatamento vêm caindo, que as operadoras de cartões continuaram expandindo seus negócios no país e que os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial com o Brasil.

Enquanto isso, representantes da indústria demonstram preocupação com os efeitos da medida. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informa que 20 dos 27 estados brasileiros já registraram queda nas exportações para os Estados Unidos neste ano. Já a Amcham Brasil estima que mais de US$ 11 bilhões em exportações possam ser atingidos, o equivalente a cerca de 26% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano. Além disso, entidades do setor produtivo alertam para riscos de perda de competitividade, redução de investimentos e impactos sobre a geração de empregos.

Diante do cenário, o governo brasileiro tem adotado um discurso de cautela. Embora tenha cogitado inicialmente recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, a equipe econômica passou a defender uma análise mais ampla antes de qualquer decisão. Nos próximos dias, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços deverá se reunir com representantes do setor produtivo para discutir medidas de apoio às empresas afetadas e avaliar uma possível resposta à nova tarifa.