
A Entre Investimentos e Participações, apontada como intermediadora de repasses do Banco Master para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, enviou R$ 139 milhões para empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro.
Segundo informações atribuídas a um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), as movimentações ocorreram entre julho de 2022 e dezembro de 2025 e envolvem empresas suspeitas de ligação com fraudes no setor de combustíveis, integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e membros da máfia italiana Ndrangheta.
Em nota, a Entre Investimentos afirmou que realiza operações “em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro”.
“A empresa reforça seu compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento da legislação vigente, permanecendo à disposição das autoridades competentes sempre que necessário”, informou o grupo.
Reportagem publicada pelo The Intercept Brasil
revelou que a empresa teria sido utilizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para realizar pagamentos ao fundo Havengate Development Fund LP, registrado nos Estados Unidos.
De acordo com a publicação, um comprovante de transferência de US$ 2 milhões indica que os recursos teriam sido enviados para financiar a produção do filme “Dark Horse”, obra que retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.
Documentos registrados no estado do Texas apontam que o fundo possui como agente legal o escritório de um advogado ligado ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente. Procurado, Eduardo não comentou o caso.
Já o senador Flávio Bolsonaro admitiu ter trocado mensagens com Daniel Vorcaro cobrando repasses financeiros para a produção do filme. Segundo ele, havia um contrato firmado para o financiamento da obra, mas algumas parcelas estavam em atraso.
Ainda conforme o relatório do Coaf, a Entre Investimentos também realizou transferências para quatro empresas investigadas na Operação Carbono Oculto, que apura um suposto esquema de adulteração de combustíveis com possível ligação ao PCC.
As investigações apontam que essas empresas operavam uma rede de contas bancárias utilizada para dificultar o rastreamento financeiro e burlar mecanismos de fiscalização.
O relatório também indica movimentações financeiras para uma empresa de pagamentos sediada em São Paulo que foi alvo da Operação Mafiusi, investigação que apura um suposto esquema internacional de lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do PCC e da máfia italiana Ndrangheta no Porto de Paranaguá, no Paraná.



