
A Polícia Federal (PF) identificou encontros e conversas entre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, antes de aportes do Rioprevidência na instituição financeira.
Segundo as investigações, a relação entre os dois teria viabilizado repasses de R$ 3 bilhões e apontado um “almanaque de irregularidades” nos investimentos feitos pelo órgão responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais.
Documentos apontam que Vorcaro convidou Castro, no dia 14 de maio de 2024, para uma degustação exclusiva de uísque em Nova York. A investigação afirma que o evento era restrito a dez pessoas e custou US$ 1,013 milhão, valor equivalente a mais de R$ 5 milhões na cotação atual.
“Haverá um evento pequeno. Degustação de whisky.”, escreveu Vorcaro ao ex-governador.
Em seguida, Castro pergunta “que horas e onde?”. Depois de receber o endereço do evento, respondeu: “Eu vou.”
A PF afirma que, no dia seguinte, o Rioprevidência realizou um aporte de R$ 80 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Os investigadores também identificaram outros dois investimentos na sequência, nos valores de R$ 80 milhões e R$ 70 milhões.
A corporação também cita outros encontros entre Castro e Vorcaro antes de novos aportes do Rioprevidência no Banco Master.
Um dos encontros ocorreu em maio de 2023, quando o ex-governador participou de um jantar com o banqueiro em Nova York. Segundo a PF, a conta do restaurante ultrapassou US$ 13 mil, valor superior a R$ 60 mil na cotação atual. O pagamento teria sido feito pelo dono do banco.
“Amigo, foi uma experiência incrível. Muito obrigado.”, escreveu Castro após o jantar.
As investigações apontam que os primeiros aportes do Rioprevidência em Letras Financeiras do Banco Master ocorreram seis meses depois, em novembro de 2023. Inicialmente foram R$ 40 milhões e, dias depois, mais R$ 80 milhões.
Entre as duas operações, o ex-governador e o banqueiro tiveram outro encontro, desta vez na casa de Vorcaro, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. As mensagens obtidas pela PF mostram os dois combinando horário e endereço.
A investigação também aponta reuniões realizadas em março de 2024 no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador, e no Palácio Guanabara, sede do governo estadual.
Nos diálogos obtidos pela PF, Vorcaro pergunta se poderia encontrar o então governador “rapidamente” no Rio de Janeiro. Castro responde ajustando horários de reuniões para encaixar o encontro.
A PF sustenta que os investimentos do Rioprevidência no Banco Master continuaram mesmo após alertas sobre o aumento do risco da instituição financeira. Segundo a corporação, a disposição do fundo previdenciário em manter os aportes “não tem relação com a lisura, estrutura do investimento ou confiança que o Banco Master tinha no mercado”.
A investigação aponta ainda que, após questionamentos feitos pelo deputado estadual Luiz Paulo ao Tribunal de Contas do Estado, o Banco Master passou a diversificar os produtos oferecidos ao Rioprevidência, com a migração de Letras Financeiras para fundos de investimento.
A defesa de Cláudio Castro nega a existência de “relação pessoal indevida” com Daniel Vorcaro. Já o Banco Master afirma que todas as operações seguiram critérios técnicos e legais.



