Amiga de Lulinha diz que apresentou Careca do INSS ao filho de Lula e nega ter intermediado negócios

Empresária afirma que aproximação não teve objetivo comercial e nega intermediação de negócios entre os dois.

Foto: Reprodução / Instagram: @roberta.luchsinger

A empresária Roberta Luchsinger afirmou que apresentou o filho do presidente Lula (PT), Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, ao empresário Antônio Camilo, que ficou conhecido como Careca do INSS depois que a CPMI colocou esse apelido por causa do caso dos descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Em entrevista à jornalista Eliane Trindade, da Folha de S.Paulo, ela disse que a aproximação ocorreu em um contexto social e sem qualquer finalidade comercial. Luchsinger declarou que a apresentação foi um gesto de “boa educação” e negou ter intermediado negócios entre eles.

“Jamais apresentei os dois com intuito de negócio. Tanto que eles nunca tiveram transações comerciais”.

Ela também afirmou que, na época do encontro, não havia informações que colocassem em dúvida a conduta de Camilo.

“Ele virou o Careca do INSS depois da CPMI, quando colocaram esse apelido. Até então era uma figura ilesa”.

O nome de Lulinha passou a ser citado nas investigações da Operação Sem Desconto após vir à tona sua relação com Camilo. O Poder360 revelou, em 4 de dezembro de 2025, que investigadores apuram a proximidade entre o filho mais velho do presidente Lula e o empresário, que está preso desde setembro de 2025.

Contrato de R$ 1,5 milhão

A empresária também afirmou que firmou um contrato de consultoria com Camilo. O acordo previa pagamentos de R$ 300 mil por mês e somou R$ 1,5 milhão ao longo de cinco meses.

Segundo ela, o trabalho estava relacionado ao setor de cannabis medicinal e à discussão sobre regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para produtos à base de canabidiol.

“Quando meus advogados levantaram os antecedentes do Antônio e da empresa dele para assinarmos o contrato, não havia um único processo”, disse.

Segundo Luchsinger, o serviço consistia na busca por atualização das regras para o setor.

A empresária negou que o contrato tenha sido usado para repassar recursos a Lulinha ou facilitar acesso ao governo federal. Segundo ela, a atuação de sua empresa foi técnica e baseada em estudos regulatórios e jurídicos.

Na entrevista, Luchsinger também rebateu suspeitas sobre a viagem que fez com Lulinha e familiares para a Finlândia, em janeiro de 2025. Ela afirmou ter apresentado documentos à Polícia Federal para comprovar que as despesas foram divididas entre os participantes e negou que terceiros tenham pago pelo passeio.

Alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em dezembro de 2025, a empresária disse que abriu seus sigilos bancário e fiscal e que nenhuma irregularidade foi encontrada.

A defesa de Luchsinger sustenta que não há elementos para uma denúncia da Procuradoria-Geral da República e espera o arquivamento da investigação. Ela também atribuiu parte da repercussão do caso à amizade com o filho do presidente e ao cenário de polarização política.

“Não posso ficar com esse manto de criminalização em cima de mim por ser amiga de alguém”, afirmou.