Endividamento das famílias brasileiras bate recorde e atinge 81,6% em maio

Pesquisa da CNC aponta avanço do endividamento em maio, impulsionado principalmente pelo uso do cartão de crédito, modalidade com os juros mais altos do mercado.

Crédito: Marcelo Camargo/Agencia Brasil

O percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer alcançou 81,6% em maio, o maior índice da série histórica iniciada em 2015. O resultado representa o quinto aumento consecutivo do indicador e supera os 80,9% registrados em abril, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (10) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O levantamento considera famílias que possuem compromissos financeiros em modalidades como cartão de crédito, cheque especial, crédito consignado, empréstimos pessoais, carnês de loja, financiamentos de veículos e imóveis, além de cheques pré-datados.

Entre as formas de crédito utilizadas, o cartão de crédito continua liderando com ampla vantagem, presente em 84,6% dos casos de endividamento. Na sequência aparecem os carnês de loja, com 16,1%, e o crédito pessoal, com 13,1%.

Em nota, a CNC destacou preocupação com a crescente dependência do cartão de crédito, especialmente devido às elevadas taxas de juros cobradas na modalidade rotativa. “O dado reforça o alerta vermelho na economia pelo fato de o cartão carregar a taxa de juros mais elevada do mercado: 428,3% ao ano no crédito rotativo”, informou a entidade.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, alertou para os impactos do cenário sobre as famílias de menor renda. “Essa sequência de aumentos atinge, principalmente, as famílias de menor poder aquisitivo, pela exposição às taxas decorrentes de atrasos nos pagamentos. É preciso garantir que o consumidor possa renegociar essas dívidas e recuperar seu fôlego financeiro”, afirmou.

Em meio ao avanço do endividamento, o governo federal lançou, em maio, o programa Desenrola 2.0, voltado à renegociação de débitos contratados até janeiro de 2026 e com atraso entre 90 dias e dois anos. A iniciativa contempla dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

O programa prevê descontos que variam de 30% a 90% sobre o valor principal das dívidas, além de limitar os juros a 1,99% ao mês. Outra medida permite que trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos utilizem até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar pendências financeiras.

Segundo o governo federal, o Desenrola 2.0 integra um conjunto de ações voltadas à redução do endividamento e à recuperação da capacidade financeira de famílias de baixa renda e da classe média.