Lula libera R$ 520 milhões para propaganda do governo antes do período eleitoral

Valor destinado à comunicação institucional supera os gastos registrados no mesmo período do último ano eleitoral do governo Jair Bolsonaro.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Lula (PT) encaminhou R$ 520 milhões para comunicação institucional do governo no primeiro semestre de 2026. O valor é mais que o dobro dos R$ 213,5 milhões usados pelo governo Jair Bolsonaro (PL) no mesmo período de 2022, último ano de eleição presidencial.

Os recursos foram destinados à ação orçamentária usada principalmente para custear campanhas publicitárias da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). Pela legislação eleitoral, a publicidade institucional do governo federal pode ser realizada até o dia 4 de julho.

O governo também gastou cerca de R$ 7,6 milhões para contratação de pesquisas de opinião. Em nota, a Secom informou que as despesas seguem os limites previstos na legislação.

“Eventuais comparações entre exercícios distintos devem considerar as especificidades de cada período, as políticas públicas desenvolvidas, o planejamento anual de comunicação e as necessidades de campanhas de utilidade pública, não sendo adequada a comparação isolada de valores empenhados entre anos sem a devida contextualização”, disse a Secom.

Segundo levantamento da Folha, os valores foram corrigidos pela inflação e consideram apenas a ação orçamentária de comunicação institucional, destinada à produção de campanhas sobre programas e ações do governo. O cálculo leva em conta os valores empenhados, ou seja, os recursos reservados oficialmente para o pagamento das despesas.

O governo federal também possui verba destinada à publicidade de utilidade pública, utilizada principalmente em campanhas do Ministério da Saúde. Assim como a publicidade institucional, essas ações também ficam sujeitas às restrições do período eleitoral, com exceção de campanhas informativas e de interesse público, como vacinação, desde que não promovam candidatos ou utilizem slogans do governo.

A campanha de maior valor lançada até o momento tem custo estimado em R$ 150 milhões e leva o slogan “conectando entregas e futuro”. Segundo o governo, a ação tem como objetivo divulgar programas e iniciativas da gestão federal.

A Secom também empenhou pelo menos R$ 80 milhões para a campanha sobre o fim da escala 6×1. Com o mote “tempo com a família”, a publicidade foi lançada no início de maio. A proposta de emenda à Constituição que trata do tema foi aprovada pela Câmara dos Deputados e ainda aguarda análise do Senado.

Outra campanha recebeu R$ 45 milhões para divulgar a nova edição do Desenrola Brasil, programa voltado à renegociação de dívidas.

Segundo a Folha, os gastos com campanhas de utilidade pública e publicidade institucional somaram cerca de R$ 1,6 bilhão em 2025, o maior valor registrado desde 2017. Desse total, R$ 968 milhões foram utilizados pela Secom, enquanto o restante ficou concentrado, principalmente, em campanhas do Ministério da Saúde.

Para 2026, o Orçamento prevê cerca de R$ 1,5 bilhão para ações de publicidade, sendo R$ 825,3 milhões destinados às campanhas de interesse público.

Neste mandato, o governo também ampliou a participação da publicidade na internet. A fatia dos investimentos em plataformas digitais passou de cerca de 20% para mais de 30%. Com isso, os recursos destinados ao Google e à Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, superaram, pela primeira vez em 2025, os investimentos em anúncios nas emissoras de televisão SBT e Band.

A Secom também contratou influenciadores digitais para divulgar ações do governo e firmou contratos com as agências Briviacom Comunicação e Marketing, Binder Comunicação e BKR Agência de Publicidade para administrar uma conta de R$ 100 milhões destinada à produção de vídeos, podcasts e outras peças de comunicação.

Os valores detalhados de cada campanha não são informados no Portal da Transparência. O sistema apresenta apenas os repasses feitos às agências contratadas. A Secom mantém um portal próprio com informações sobre a distribuição das campanhas, mas os dados disponíveis não estão totalmente atualizados.

Fonte: Folha de São Paulo