Copa do Mundo: empresa é obrigada a liberar funcionários em dia de jogo do Brasil? Veja o que diz a lei

Empresas não são obrigadas a liberar funcionários durante as partidas da Seleção, mas podem adotar horários especiais por acordo.

Foto: Marcos Serra Lima / g1

A classificação do Brasil para as oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 reacendeu o entusiasmo dos torcedores. Com a Seleção ainda na disputa pela sexta estrela, muita gente já começa a organizar a rotina para acompanhar os próximos jogos em casa, em bares ou em telões espalhados pelas cidades.

Se chegar à final, a equipe comandada por Carlo Ancelotti ainda disputa quatro partidas. Duas delas acontecem em dias úteis, mas em horários próximos ao fim do expediente, entre 16h e 18h.

Confira os próximos jogos do Brasil, caso a Seleção avance até a final:

Oitavas de final: 5 de julho (domingo), às 17h;
Quartas de final: 11 de julho (sábado), às 18h;
Semifinal: 15 de julho (quarta-feira), às 16h;
Final: 19 de julho (domingo), às 18h.

O sábado ainda é classificado como dia útil pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pela Constituição Federal, até que comece a valer o fim da escala 6×1 — proposta que segue parada no Senado há um mês.

Durante a Copa do Mundo, é comum empresas mudarem o horário de funcionamento, reduzirem a jornada ou liberarem os funcionários para assistir aos jogos da Seleção. Em alguns casos, a partida também é transmitida no próprio local de trabalho.

Apesar disso, a legislação não obriga os empregadores a liberar os trabalhadores durante os jogos.

Por causa disso, muitos funcionários têm dúvidas sobre descontos no salário, compensação de horas e possíveis punições caso deixem de trabalhar para acompanhar a Seleção.

Segundo advogados trabalhistas ouvidos pelo g1, o primeiro ponto é que dias de jogo do Brasil não são considerados feriados. Assim, a jornada de trabalho segue normalmente, independentemente da fase da competição.

Hospitais, rádios, redações de jornalismo, postos de combustíveis, empresas de transporte e outros serviços essenciais continuam funcionando normalmente.

A liberação dos funcionários depende exclusivamente da decisão da empresa. Quando isso acontece sem desconto no salário, a folga é remunerada.

Em algumas empresas, o expediente é interrompido durante a partida e retomado logo após o jogo. Nesses casos, pode haver compensação das horas, desde que haja acordo entre empregador e funcionário.

O advogado Marcel Zangiácomo, sócio do escritório Galvão Villani, Navarro, Zangiácomo e Bardella Advogados, explica que essa compensação deve respeitar os limites previstos na legislação.

Segundo ele, a reposição “não pode ultrapassar duas horas extras por dia” e o acordo “precisa ser claro para evitar que o trabalhador seja surpreendido depois”.

Ainda de acordo com o advogado, a compensação pode ocorrer em até um ano, desde que seja formalizada por meio de acordo individual verbal, individual por escrito ou coletivo, conforme prevê a legislação.

Já quem faltar ao trabalho para assistir ao jogo, sem autorização da empresa, pode ter o dia descontado e perder o descanso semanal remunerado.

Advertências e suspensões também podem ser aplicadas em caso de reincidência. No entanto, os especialistas explicam que uma falta isolada, por si só, não caracteriza motivo para demissão por justa causa.

Para trabalhadores de setores essenciais, como saúde, transporte, segurança e atendimento ao público, as regras costumam ser mais rígidas.

Segundo Marcel Zangiácomo, empresas que prestam serviços ininterruptos precisam manter as atividades durante os jogos. “A empresa não pode comprometer atividades essenciais por causa da Copa”, afirma.

Nesses casos, a orientação é que o funcionário converse com a chefia com antecedência para verificar a possibilidade de ajuste na escala.

O advogado também alerta que assistir à partida durante o expediente, sem autorização, pode ser considerado ato de indisciplina.

“Se a empresa determinou que não haverá pausa, o empregado precisa cumprir a orientação. Caso contrário, pode sofrer advertência e até suspensão”, afirma.

Os especialistas destacam que o diálogo entre empresa e trabalhador é a melhor forma de evitar conflitos e definir regras para os dias de jogos da Seleção.