
Mais de um ano após entrar em vigor, a lei que restringe o uso de celulares nas escolas já faz parte da rotina da maioria das instituições de ensino do país. Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC) mostra que a medida tem contribuído para aumentar a participação dos estudantes nas aulas e melhorar a convivência escolar, embora ainda existam desafios para sua implementação.
O levantamento teve abrangência nacional e foi realizado com uma amostra de 8.189 escolas públicas e privadas, em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, a UNESCO e o Instituto Alana.
De acordo com a pesquisa, 92% das escolas afirmam que conseguiram implantar a restrição ao uso de celulares.
Entre essas instituições:
97% disseram que houve aumento da participação dos alunos nas atividades pedagógicas;
95% afirmaram que a medida estimulou a socialização presencial;
88% relataram redução de conflitos digitais e casos de cyberbullying;
86% perceberam diminuição da ansiedade entre os estudantes.
Gestores apontam desafios
Apesar dos resultados positivos, os diretores relatam dificuldades na aplicação da norma.
Segundo o levantamento:
39% enfrentam alta dificuldade para obter a adesão dos estudantes e garantir locais para guardar os aparelhos;
31% apontam problemas para fiscalizar o uso dos celulares durante as aulas e os intervalos.
Além disso, 67% dos gestores defendem uma maior parceria com as famílias para reduzir o tempo de tela dos estudantes, enquanto 61% consideram necessária uma formação específica para professores sobre mediação tecnológica, saúde mental e bem-estar.
Outros 60% afirmam que é preciso ampliar e melhorar espaços de lazer, como pátios e áreas de convivência.
A secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, afirmou que o principal resultado da pesquisa é a melhora na convivência entre os estudantes.
Segundo ela, os dados demonstram uma “re-humanização” do ambiente escolar e reforçam que a legislação não pretende impedir o uso da tecnologia para fins educacionais.
O estudo aponta que 86% dos gestores mantiveram ou ampliaram atividades pedagógicas com tecnologias digitais, mostrando que o uso de ferramentas tecnológicas continua permitido quando faz parte do processo de ensino.
Embora o levantamento do MEC ainda não tenha medido diretamente o impacto da restrição sobre o desempenho escolar, uma pesquisa realizada pela Universidade Stanford, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, identificou avanços na aprendizagem após a proibição dos celulares nas escolas da capital fluminense.
Segundo o estudo, os alunos da rede municipal aprenderam, em média, 25,7% mais em Matemática e 13,5% mais em Língua Portuguesa durante o ano letivo de 2024, resultado equivalente a aproximadamente um bimestre adicional de aprendizagem.


