Faeb pede retirada de moageiras do programa Desenvolve após reclamações de produtores de cacau

Produtores afirmam que indústrias estariam provocando deságio no preço do cacau e prejuízos à cadeia produtiva na Bahia.

Foto: SEAGRI / Divulgação

Os produtores de cacau da Bahia, que há mais de um ano afirmam ser vítimas do deságio nos preços do produto provocado pelas três indústrias moageiras que atuam no estado, Cargill, Barry Callebaut e OFI, ganharam um aliado na disputa. A Federação da Agricultura da Bahia (Faeb) passou a defender a pauta apresentada pelos produtores.

A pedido dos sindicatos de produtores da região cacaueira, o presidente da Faeb, Humberto Miranda, protocolou um documento no Governo da Bahia solicitando ao governador Jerônimo Rodrigues a retirada das três moageiras do programa Desenvolve.

Segundo os produtores, as empresas, responsáveis pelo processamento de 95% do cacau baiano, não estariam contribuindo com o desenvolvimento socioeconômico das regiões onde atuam, requisito previsto pelo programa estadual de incentivos.

Segundo o colunista Levi Vasconcelos, do Jornal A TARDE, os produtores afirmam que as três empresas aumentaram os estoques com cacau importado e criaram um mecanismo para driblar a cotação da Bolsa de Nova York, utilizada como referência para o preço do produto.

Como exemplo, os produtores citam a última sexta-feira, quando a Bolsa de Nova York estabeleceu a tonelada do cacau em US$ 470. Segundo eles, as moageiras pagaram US$ 320 pela tonelada, o que teria causado uma perda de cerca de R$ 600 por arroba para o produtor.

Ainda segundo um produtor ouvido pelo colunista, a situação chama atenção porque a Cargill é uma empresa norte-americana e recebe incentivos do Governo da Bahia, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça o Brasil com a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros.