Rui Costa critica impunidade e pede endurecimento das leis no Brasil

Ex-governador da Bahia afirmou que é preciso fortalecer o combate às organizações criminosas e revisar leis para reduzir a impunidade.

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A segurança pública foi um dos temas abordados pelo ex-governador da Bahia e pré-candidato ao Senado pelo PT, Rui Costa, durante entrevista à Rádio Piatã FM, nesta quinta-feira (16). Segundo ele, o Brasil enfrenta um cenário em que organizações criminosas atuam de forma estruturada no país e no exterior, principalmente ligadas ao tráfico de drogas. Para ele, “é preciso reordenar o sistema judicial brasileiro e o sistema de análise de crime”.

“Hoje, infelizmente, quando falamos de segurança nós estamos falando de organizações criminosas que estruturam o crime no plano federal e internacional, associado ao tráfico de drogas”, afirmou Rui.

Ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa lembrou de dois projetos encaminhados pelo presidente Lula ao Congresso Nacional. Segundo ele, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública busca ampliar os poderes do Governo Federal no combate às organizações criminosas, enquanto uma lei já aprovada aumenta a pena para quem participa de facções criminosas. Ainda assim, o ex-governador defendeu uma revisão das leis para endurecer as punições e corrigir falhas que, segundo ele, ainda existem no sistema de Justiça.

“A PEC da segurança pública [PEC 18/2025], para dar mais poderes ao Governo Federal para atuar no combate a essas organizações criminosas, está parado no Congresso, ainda não votaram. Outro projeto de lei, aprovado [Lei 15.358/2026], aumenta a pena e o rigor para quem participar de organização criminosa estruturada, ou seja, facção. Mas eu acho que é preciso reordenar”, afirmou.

Durante a entrevista, Rui Costa também criticou o que considera um sentimento de impunidade diante da soltura de pessoas presas por crimes graves. Como exemplo, citou a morte de um oficial na Avenida Contorno, em Salvador.

“Uma coisa que me incomoda e incomoda a população, é você ter esse sentimento de que o ladrão é preso, o criminoso é preso, mas logo depois é solto. Esse ano mesmo, foi morto um oficial na avenida Contorno. Quem matou foi um cara que tinha acabado de ser solto, apesar de responder seis processos de homicídio”, lembrou Rui Costa.

O ex-governador também defendeu o cumprimento integral da pena para condenados por homicídio e afirmou ser contra a forma como a Justiça brasileira trata esse tipo de crime.

“Sou contra a forma que a justiça brasileira trata homicida, quem tira a vida de outras pessoas. Não sou a favor da prisão perpétua, mas se o cara foi condenado a 20 anos, tem de cumprir os 20 anos. Mas com dois, três anos, o cara que tirou a vida de uma criança, de um idoso, de uma mãe, tá na rua. Isso é um absurdo”.

Rui Costa citou ainda exemplos de outros países ao defender leis mais rigorosas para combater a criminalidade.

“Se alguém que é preso com um fuzil na Alemanha, na Suíça, na Suécia, na Espanha, por exemplo, essa pessoa está solta em pouco tempo? Não. Aqui no Brasil, é rotina. É pego pela polícia com um fuzil, com uma semana tá solto, tá nas ruas e ainda com um fuzil de novo”, explicou.

Ao falar sobre a Bahia, Rui Costa lembrou das ações desenvolvidas durante sua gestão na área da segurança pública. Entre elas, destacou o uso de novas tecnologias, a modernização das estruturas de policiamento e a expansão do Sistema de Videomonitoramento, com câmeras inteligentes de reconhecimento facial e de placas para auxiliar no combate ao crime.