Moradores de Amargosa assustados com a violência

Cerca de 300 pessoas, entre estudantes da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (Ufrb), do Centro de Formação de Professores; comerciantes e a população de Amargosa protestaram, na manhã de ontem (16), contra o aumento do número de assaltos que vem ocorrendo na cidade. O protesto foi realizado pelas ruas centrais da cidade e nos pontos aonde os delitos vêm ocorrendo com frequência, como o Largo do Maracanã, feira livre, Rua da Lama, Praça Iolanda Pires, Lourival Monte e Praça do Bosque, que ganhou um abraço simbólico dos manifestantes.

De acordo com os manifestantes, os assaltos acontecem com frequência, não importa a hora nem o local para os bandidos, que com arma em punho, causam terror a população. A estudante universitária Marília Vaz, foi um das vítimas. Há 20 dias ela foi abordada por dois homens armados e a pé. “Levaram meu celular e o Iphone do meu primo. Não foi a primeira vez. Foram três. Das outras vezes, um o bandido me pegou na rua e me ameaçou de morte se eu não retirasse a queixa. Da última vez, me apontou uma arma e levou todos os meus pertences”, contou. Segundo a estudante, com exceção da Praça do Bosque, em alguns pontos da cidade a iluminação é precária. “Isso facilita a ação dos bandidos porque a gente sai da faculdade por volta das 22 horas da noite e os assaltos ocorrem entre às 19h e ás 22h”, lamentou.

Outros estudantes e moradores também se queixam da violência. Há pessoas que, por medo, preferem não se identificar. É o caso de outra universitária, que não quis divulgar o nome por ter sido assaltada duas vezes. “Eu saía da faculdade, que fica num local perigoso e um pouco afastado do centro da cidade, no Loteamento Tropical Center, e fui assaltada. Além de ter sido perseguida e por isso tenho medo de ser reconhecida. A iluminação é pouca e não tem calçada”, contou.

O delegado titular de Amargosa, Glauber Uchiyama, admite que o índice de violência no geral aumentou na cidade em relação a 2010, quando foram registrados, em janeiro e fevereiro, dois roubos e um furto. “Não tivemos arrastão aqui como estão divulgando. As pessoas aumentam os números. E todos os envolvidos nos crimes foram presos. Porém, as vítimas não prestam queixa e isso é sério porque a polícia começa o trabalho a partir das informações”, garantiu. Este ano, de janeiro até ontem (16), segundo registros da Polícia Civil, ocorreram 42 furtos, sendo três qualificados, a transeunte, residências e no comércio local. “A maioria dos assaltos é praticado por adolescentes”, ressaltou o delegado.

O capitão da Polícia Militar, Elimar Silva de Jesus, afirmou que nos primeiros meses do ano, Amargosa registra um aumento da criminalidade. “Amargosa cresceu assim como o comércio. Este ano não foi diferente, mas foram pequenos delitos que antes não existiam como assaltos com armas branca e de fogo, mas não há uma onda de assaltos. São pequenos furtos a transeuntes praticados por pessoas de bicicleta ou a pé. 90% das ocorrências são feitas por menores. Esta semana prendemos quatro adolescentes que serão encaminhados para instituições em Salvador e um adulto está preso”, assegurou o capitão.

A polícia, segundo informou o capitão PM Elimar, tem feito o que pode para combater a insegurança na cidade. “Temos um programa de ronda que é seguido à risca pelos nossos policiais. Temos duas viaturas que saem às ruas com quatro policiais”, disse. O presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Amargosa (Aciapa), Vinícius, o crescimento da cidade com a instalação de universidades e a chegada de grandes lojas para o comércio, são fatores que contribuem para o aumento da criminalidade. “Amargosa cresceu nos últimos anos e se tornou pólo estudantil. Temos duas universidades públicas e duas particulares, além disso, grandes redes de lojas se instalaram aqui e isso também atraiu a criminalidade”, salientou o comerciante. (Cristina Pita)