Crise econômica reduziu número de viajantes no feriado

Apesar do movimento de retorno para a capital baiana ter sido intenso a partir do início da tarde de ontem, 24, nas principais vias de acesso à capital baiana, não se comparou ao de anos anteriores em período semelhante de “feriadão”.

“Este é mais um feriado mixuruca porque tá todo mundo sem dinheiro. A previsão é de que cada um de nós faça, em média, cinco corridas durante o dia todo. Se realmente o movimento estivesse bom, a gente faria no mínimo umas dez corridas. Aqui e na rodoviária tá tudo fraco”, declarou o taxista Geraldo Ribeiro Gonçalves, com a experiência de quem tem 30 anos na praça e percebe que a crise político-econômica atual no País também afetou a população na hora de decidir viajar para aproveitar três ou quatro dias longe do trabalho e de puro lazer.

“Eu viajei, mas não pude levar todos de casa comigo. Ficaram minha mulher e filha. Só o filho caçula embarcou nessa esticada ao interior para rever parentes. A grana tá curta e tudo ta caro, isto faz com que a gente corra risco de gastar sem poder”, admitiu o funcionário público Ernesto Soares, 46, ao chegar de Santo Antonio de Jesus, depois de atravessar a Baía de Todos os Santos em ferry-boat.

Ao consultar passageiros que retornaram tranquilamente, por terra e mar, à Salvador, ao longo da tarde de ontem, a reportagem da Tribuna acabou por obter um raio-X do panorama sócio-econômico do feriadão que, devido as dificuldades financeiras atuais da maioria da população, revelou ter sido menos concorrido do que em época de estabilidade financeira das famílias. “Por mais que a gente economize, nestes momentos é importante evitar gastos. Não fiz companhia aos filhos porque optei por ficar em casa e, assim, gastar menos”, declarou o técnico Osvaldo Silva, 52, enquanto aguardava o casal de herdeiros desembarcar na rodoviária procedente de Juazeiro, destino visitado durante o feriadão por motivo de laços familiares.

Nos principais terminais de embarque e desembarque e em alguns trechos  das rodovias estaduais e federais  que dão acesso a Salvador, o retorno dos baianos foi sem sobressaltos. “A viagem foi ótima, até rápido demais”, disse a cantora Simone Raio, ao chegar de Aracaju por volta das 16hs, depois de percorrer a BA- BA-099 (Litoral Norte),   num dos 100 ônibus extras postos à disposição dos 38 mil passageiros previstos pela Agerba – Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia – para retorno do feriadão.

Já no terminal marítimo de São Joaquim, a previsão era de que o as viagens ocorressem a cada 30 minutos devido à demanda de passageiros que partiam do terminal de Bom Despacho, servidos pela Internacional Travessias.Do outro lado da Baía de Todos os Santos, a média de espera para embarcar era de aproximadamente de uma hora e 30 minutos para motoristas e de meia hora para pedestres.

Seis embarcações funcionaram no sistema “bate-e-volta” com saídas a cada meia hora com destino a Salvador. “Tudo tranquilo do lado de lá, mas tenho uma queixa pra fazer: eles puseram os idosos no porão, quando a prioridade será de ficar na parte de cima, alegando que não havia mais espaço no convés superior. Eu mesma passei mal por causa dessa situação”, disse Maria de Lurdes Oliveira, 68, professora aposentada, ao desembarcar com a família de carro.

A ITS, administradora do sistema Ferry-Boat, informou que a operação das embarcações Ivete Sangalo, Dorival Caymmi, Maria Bethânia, Pinheiro, Zumbi dos Palmares e Agenor Gordilho, se realizaria em ritmo de funcionamento 24 horas.  de acordo com a demanda e respeitando os momentos de manutenção obrigatória. No acesso a Salvador pela BR-324, o retorno também foi tranqüilo, segundo fontes da Polícia Rodoviária Federal. O fluxo de passageiros também foi intenso durante todo o domingo na travessia Mar Grande-Salvador, com saída de embarcações a cada 30 minutos dos terminais de Vera Cruz, na ilha de Itaparica, e no Terminal Náutico, no Comércio.

(Tribuna)