A obra da primeira etapa da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), que liga os municípios de Caetité e Ilhéus, na Bahia, foi paralisada por falta de dinheiro. A informação foi divulgada na terça-feira (1º) pela BAMIN, empresa responsável pelo projeto. Segundo a companhia, o contrato com a construtora Prumo Engenharia foi desmobilizado na segunda-feira (31), após um investimento de R$ 784 milhões.

O trecho 1 da Fiol foi a primeira obra anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em julho de 2023. O projeto previa 537 quilômetros de extensão, passando por 19 municípios baianos. Inicialmente, a previsão era que essa fase fosse concluída até 2027, mas Lula pediu celeridade nos trabalhos para que a entrega acontecesse em 2026, ano eleitoral.
Em nota, a BAMIN informou que, apesar da paralisação das obras, os serviços de manutenção continuarão, assim como todas as obrigações socioambientais relacionadas ao Projeto Integrado Pedra de Ferro.
“A BAMIN, empresa subsidiária do Grupo ERG, informa que o contrato de obras da Ferrovia de Integração Oeste Leste (FIOL I), no trecho entre os municípios entre Uruçuca e Ilhéus, será desmobilizado a partir do dia 31 de Março de 2025, concluindo a fase inicial da construção da ferrovia, iniciada em 2023. Até o momento, a ERG investiu R$ 784 milhões na ferrovia, desde o início da concessão em 2021. É importante informar que, mesmo com a finalização deste contrato, os serviços de manutenção serão mantidos e todas as obrigações socioambientais relacionadas ao Projeto Integrado Pedra de Ferro continuarão a serem executadas. A ERG permanece em busca de investidores que possam apoiar a implantação do projeto”, disse a nota enviada ao G1.
O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada e Montagem Industrial da Bahia (Sintepav-BA) também se manifestou sobre o caso e convocou uma assembleia para esta quarta-feira (2) para discutir a situação dos trabalhadores afetados pela paralisação.
A Fiol faz parte de um projeto ferroviário maior, composto por três trechos que totalizam 1.527 km. Quando concluída, a ferrovia ligará o futuro Porto de Ilhéus à cidade de Figueirópolis, no Tocantins, conectando-se à Ferrovia Norte-Sul. Esse corredor logístico será essencial para o escoamento de minério produzido no sul da Bahia e de grãos cultivados no oeste do estado. A expectativa é de que a operação da ferrovia reduza a emissão de gases do efeito estufa em 86%.
Outros benefícios esperados incluem a redução nos custos de transporte de minério, grãos e etanol para mercados internos e externos, além do aumento da produção agroindustrial na região devido à melhoria nas condições logísticas.
Atualmente, as obras do trecho Fiol 2 estão em andamento sob a responsabilidade da empresa Infra S.A., enquanto o trecho Fiol 3 ainda está em fase de estudos. O projeto da Fiol, quando finalizado, beneficiará diretamente 31 municípios baianos: Ilhéus, Uruçuca, Aurelino Leal, Ubaitaba, Gongogi, Itagibá, Aiquara, Itagi, Jequié, Manoel Vitorino, Barra da Estiva, Mirante, Tanhaçu, Aracatu, Brumado, Livramento do Brumado, Lagoa Real, Rio do Antônio, Ibiassucê, Caetíté, Guanambi, Palmas de Monte Alto, Riacho de Santana, Bom Jesus da Lapa, Serra do Ramalho, São Félix do Coribe, Jaborandi, Santa Maria da Vitória, Correntina, São Desidério e Barreiras.


