Bahia avança na economia circular com coprocessamento de resíduos perigosos

Iniciativa da MR Soluções Ambientais transforma resíduos industriais em energia, substituindo combustíveis fósseis em cimenteiras

A Bahia vem se consolidando como referência nacional em sustentabilidade e economia circular por meio de um modelo inovador na gestão de resíduos perigosos: o coprocessamento. A técnica permite transformar resíduos industriais em combustível alternativo para uso em fornos de cimenteiras, substituindo fontes poluentes como o coque (carvão mineral).

Brasil gerou cerca de 2,7 milhões de toneladas de resíduos perigosos em 2022 – Foto: Divulgação

A frente dessa iniciativa está o Grupo Marca, por meio da MR Soluções Ambientais, que atua na valorização de resíduos como solventes, borras de tinta, óleos contaminados e resíduos químicos, dando a eles uma destinação ambientalmente adequada e energeticamente eficiente.

Segundo dados da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), o Brasil gerou aproximadamente 2,7 milhões de toneladas de resíduos perigosos em 2022. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) determina que esses resíduos devem ter prioridade em soluções que promovam reutilização e recuperação energética.

O diretor regional do Grupo Marca, Rodrigo Zaché, destaca a importância do processo. “Trata-se de uma solução técnica e sustentável que valoriza os resíduos perigosos. Indústrias, comércios e prestadores de serviços podem se beneficiar do coprocessamento, agregando valor ao seu Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), fortalecendo práticas ESG e contribuindo com a economia circular”, afirmou.

O coprocessamento também está alinhado com metas globais de descarbonização, como discutido na COP 29, realizada em Baku, Azerbaijão, ao reduzir o uso de combustíveis fósseis e reaproveitar materiais que antes teriam como destino final os aterros.

Os resíduos recebidos pela MR Soluções Ambientais passam por triagem detalhada para identificação de suas propriedades químicas e físicas. Em seguida, são triturados e encaminhados às baias de blendagem, onde são homogeneizados para atingir o Poder Calorífico Inferior (PCI) ideal do Combustível Derivado de Resíduos (CDR).

É dessa forma que contribuímos para um ciclo mais sustentável. Resíduos perigosos que antes seriam descartados em aterros agora integram uma cadeia produtiva de reaproveitamento energético”, concluiu Zaché.