‘Operação Terra Justa’: Tenente-coronel da PM é investigado por encobrir ações de milícia

Oficial é suspeito de receber R$ 15 mil mensais para acobertar grupo criminoso; bens de acusados foram bloqueados em mais de R$ 8,4 milhões.

Imagem: Alberto Maraux

Um tenente-coronel da Polícia Militar da Bahia foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta segunda-feira (08), durante a segunda fase da ‘Operação Terra Justa’, deflagrada pelo Ministério Público da Bahia (MPBA) por meio do Gaeco, em parceria com a Força Correcional Especial Integrada da Corregedoria Geral (Force), da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e da Corregedoria da PM. O oficial foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo sem registro.

Ao todo, foram cumpridos oito mandados judiciais – seis de busca e dois de prisão preventiva – nos municípios de Correntina, Santa Maria da Vitória e Salvador. Durante a ação, foram apreendidos documentos, armas, munições, aparelhos eletrônicos e outros materiais que passarão por perícia.

De acordo com as investigações, o oficial de alta patente recebia vantagens indevidas para encobrir crimes cometidos por uma milícia que, há mais de dez anos, invadia com violência terras de comunidades tradicionais em Correntina, em favor de fazendeiros locais.

O tenente-coronel teria recebido, entre 2021 e 2024, pagamentos mensais de R$ 15 mil realizados pelo líder da milícia, identificado como um sargento da reserva da PM. O oficial é investigado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Denúncia e bloqueio de bens

Na mesma operação, o sargento da reserva e um comparsa, já presos na primeira fase, foram novamente alvos de mandados de prisão preventiva. Eles e mais três pessoas foram denunciados pelo MPBA por crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A denúncia foi recebida pela Vara Criminal de Correntina em 5 de agosto, que determinou o bloqueio de bens em valores superiores a R$ 8,4 milhões. As investigações apontam que, entre 2014 e 2024, apenas na conta do sargento da reserva foram registradas movimentações de aproximadamente R$ 30 milhões, a maioria oriunda de empresas do setor agropecuário, utilizadas para mascarar a origem ilícita dos recursos.