Filho de ginecologista acusado de filmar paciente rebate acusações e afirma que pai foi vítima de “enorme mal-entendido”

Advogado afirmou que o pai jamais praticou qualquer ato ilícito, contestou a versão da denúncia e destacou que a Justiça reconheceu a ausência de provas para manter a prisão.

Médico foi solto após juiz identificar que nenhuma imagem tinha sido gravada pelos óculos inteligentes do ginecologista | Foto - Divulgação Reprodução/Redes Sociais

Após a soltura do médico ginecologista Hosaná Pereira de Santana, no último domingo (12), o filho dele, o advogado e pesquisador Hosanah Filho, usou as redes sociais para defender publicamente o pai e contestar as acusações de que ele teria gravado pacientes durante consultas. Em uma nota divulgada após a decisão judicial, ele afirmou que o médico foi alvo de uma falsa narrativa e que não existe qualquer registro em vídeo que sustente a denúncia.

Na publicação, Hosanah Filho explicou que o equipamento apontado como suposto instrumento para as gravações eram os óculos inteligentes utilizados diariamente pelo pai por conta das lentes de grau. Segundo ele, o dispositivo só realiza gravações mediante acionamento manual e emite um sinal luminoso visível sempre que a câmera é ativada.

“É fundamental esclarecer que meu pai jamais cometeu qualquer ato ilícito. O objeto que gerou toda a confusão foram seus óculos da Meta, que ele utiliza diariamente por possuírem lentes de grau. É importante pontuar que esses óculos possuem um funcionamento específico e transparente: o dispositivo só realiza qualquer gravação se for ativado manualmente pelo usuário. Além disso, a câmera não é escondida e, quando o comando de gravação é acionado, o aparelho emite uma luz indicativa clara e visível — similar a um flash — que notifica qualquer pessoa ao redor.”

O advogado ainda afirmou que esse indicador luminoso nunca foi acionado durante os atendimentos e reforçou que a inexistência de qualquer gravação foi constatada durante a investigação.

“Esse sinal luminoso nunca foi emitido durante suas consultas, pois, como confirmado pela Justiça, não existe nenhuma gravação. O que ocorreu foi um enorme mal-entendido, tragicamente distorcido e propagado como verdade absoluta.”

Na manifestação, Hosanah Filho também destacou que o médico colaborou integralmente com as autoridades, entregando aparelhos eletrônicos e fornecendo senhas para análise, o que, segundo ele, demonstra transparência e reforça que não houve confissão de qualquer crime.

“Hoje, recebemos a confirmação da Justiça: o flagrante foi reconhecido como ilegal por absoluta ausência de provas. A suposta gravação nunca existiu. Em mais de 30 anos de carreira, meu pai pautou sua conduta pelo respeito ético e pelo cuidado com cada pessoa que passou pelo seu consultório.”

O filho do ginecologista ainda criticou o julgamento feito nas redes sociais e afirmou que a família buscará responsabilizar quem contribuiu para a disseminação das acusações.

“Não podemos permitir que a ‘justiça da internet’, que condena sem o devido processo legal, destrua uma vida de dedicação. Seguimos empenhados em esclarecer a verdade e responsabilizar aqueles que contribuíram para este circo midiático. O apoio, a solidariedade e as mensagens de carinho que temos recebido são o que nos mantém firmes. A confiança de vocês é a prova maior da conduta impecável dele ao longo de décadas.”

Hosaná Pereira de Santana foi preso na última sexta-feira (10), acusado de filmar uma paciente durante um exame ginecológico realizado na Clínica da Família, no bairro de Vila Laura, em Salvador. Entretanto, durante a audiência de custódia, a Justiça considerou a prisão ilegal após verificar que não foram encontrados vídeos ou imagens relacionados à denúncia, mesmo após a análise dos dispositivos eletrônicos do médico.

Apesar da decisão judicial, o caso segue sendo apurado. O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) instaurou uma sindicância para investigar a conduta do profissional, enquanto a Clínica da Família informou que recebeu a denúncia com seriedade e acompanha o andamento das investigações.