Trabalho infantil recua no Brasil, mas ainda afeta 1,6 milhão de crianças e adolescentes, segundo o IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta sexta-feira (18), que mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes, de 5 a 17 anos, estavam em situação de trabalho infantil no Brasil em 2023. O número, que faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), representa uma redução de 14,6% em relação a 2022, quando mais de 1,8 milhão de menores se encontravam nessa condição.

Foto: Flávio Tavares

Apesar do volume significativo de crianças e adolescentes envolvidos em trabalho infantil, o IBGE destaca que a tendência é de queda. Em 2022, o Brasil interrompeu a sequência de diminuição dos casos, atingindo 4,9% da população nessa faixa etária. Em 2021, a taxa era de 4,5%, enquanto em 2023, caiu para 4,2%.

Regionalmente, o Nordeste apresenta o maior número absoluto de casos, com 506 mil crianças em situação de trabalho infantil. Entretanto, a maior taxa proporcional está no Norte, com 6,9%. Os dados das regiões mostram o seguinte cenário: Nordeste (506 mil casos), Sudeste (478 mil), Norte (285 mil), Sul (193 mil) e Centro-Oeste (145 mil).

Além disso, um em cada cinco (20,6%) menores de 18 anos nessa situação trabalha 40 horas ou mais por semana. A maioria absoluta dos casos envolve crianças e adolescentes pretos e pardos, que representam 65,2% do total, superando a proporção dessa faixa populacional na população total de 5 a 17 anos, que é de 59,3%.

A pesquisa também indica que o trabalho infantil impacta diretamente a continuidade escolar. Em 2023, 97,5% das crianças de 5 a 17 anos estavam na escola, enquanto apenas 88,4% dos trabalhadores infantis frequentavam a escola. Entre as atividades, 48% dos menores atuavam no comércio, 26,7% na reparação de veículos, e 21,6% na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura.