
O caso Isabella Nardoni, que chocou o país em 2008, voltou aos holofotes após 17 anos. Uma suposta revelação de Anna Carolina Jatobá, madrasta da menina e condenada pelo homicídio, motivou uma nova representação encaminhada ao Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Segundo o documento apresentado por uma associação, Antônio Nardoni, pai de Alexandre e avô de Isabella, teria colaborado no crime, ajudando a criar um álibi para proteger o casal condenado.
“Segundo o relato da servidora pública, o referido indivíduo teria prestado auxílio consciente aos autores do crime, colaborando com a criação de álibi para acobertar os réus”, afirma um trecho da representação.
A acusação sugere que Antônio poderia ter atuado “de forma efetiva ou instigadora, na execução da vítima, que à época ainda se encontrava com sinais vitais quando foi arremessada da janela”. A associação pede ainda a proteção policial para a servidora que relatou os fatos, por temer represálias.
O jornalista Valmir Salaro, que acompanha o caso desde o início, relembrou que a versão já havia sido mencionada meses atrás. Segundo ele, a agente penitenciária de Taubaté que recebeu Jatobá na prisão ouviu da condenada que “o sogro tinha participação no crime” e que teria orientado o casal.
“Segundo o relato, ele teria orientado os dois a sumir com o corpo da Isabella”, disse Salaro. Ele acrescentou que a servidora chegou a depor para dois promotores, mas a investigação não avançou.
O crime ocorreu em março de 2008, quando Isabella Nardoni, de 5 anos, foi agredida e jogada do sexto andar de um prédio na Zona Norte de São Paulo. O pai, Alexandre Nardoni, foi condenado a 31 anos de prisão, e Jatobá, a 26 anos, ambos por homicídio triplamente qualificado. Eles cumpriram parte da pena em regime fechado e atualmente estão em regime aberto.
Salaro também comentou sobre a ausência de confissão dos condenados:
“Eles nunca confessaram e acho que nunca vão confessar o crime. A verdade só eles sabem e nunca vão admitir publicamente porque eles têm dois filhos e esses filhos têm acesso à internet. As crianças talvez vivam na eterna dúvida: ‘meus pais estão negando, eu vou acreditar nos meus pais ou em outras pessoas?’”.
O MPSP ainda não se pronunciou oficialmente sobre a possibilidade de reabertura das investigações.



