
O CEO da Latam, Jerome Cadier, afirmou que o projeto que prevê o fim da escala 6×1 no Brasil pode comprometer e até acabar com os voos internacionais, por causa do modelo de trabalho realizado por aeronautas e tripulações, que muitas vezes ultrapassa oito horas diárias.
A declaração ocorreu durante teleconferência de apresentação dos resultados da companhia. A proposta do governo do presidente Lula (PT) prevê que o trabalhador passe a atuar cinco dias por semana, com dois dias de folga, além do pagamento extra aos sábados, domingos e feriados, conforme a escala de cada empresa.
A discussão sobre redução da jornada de trabalho no Brasil voltou ao debate após décadas sem mudanças desde a Constituição de 1988. Com a proposta, trabalhadores poderão ter mais tempo para a família, estudos e qualificação profissional, além da redução do desgaste causado pela escala 6×1.
Segundo Cadier, caso o projeto que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas seja aprovado, o Brasil poderá deixar de ter operação internacional.
Além disso, o projeto também prevê dois dias consecutivos de descanso para os funcionários, seguindo o modelo 5×2, sem redução salarial.
Entretanto, o executivo afirmou acreditar que o Congresso Nacional realizará ajustes no texto para determinadas categorias, como aeronautas e profissionais do setor aéreo.
Representantes de setores econômicos também têm pressionado por incentivos, incluindo novas regras de desoneração, para compensar possíveis impactos da medida.
De acordo com a legislação atual, os aeronautas já possuem regras específicas que regulamentam jornada, tempo de voo e períodos de descanso para pilotos e comissários.
Segundo a lei, existem diferentes modelos de tripulação em voos internacionais, com jornadas que podem variar entre 9 e 16 horas, dependendo da operação.
No último domingo (3), o governo federal lançou uma campanha pelo fim da escala 6×1. Caso a proposta seja aprovada, cerca de 37 milhões de pessoas poderão ser beneficiadas, segundo o Executivo.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, decidiu acelerar a tramitação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o tema. Com a proximidade do calendário eleitoral, Motta convocou sessões do plenário ao longo da semana para agilizar a análise da proposta.
Os custos da aprovação da medida preocupam setores da economia. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a projeção aponta possível aumento de custos para produtos e serviços, além de impactos no poder de compra e na inflação.


