Promotor diz que PCC está infiltrado no Estado e defende “pente-fino” em SP

Em entrevista, Lincoln Gakiya afirmou que crime organizado atua em estruturas do poder público por meio de contratos e empresas de transporte coletivo.

A ação faz parte da "Operação Última Parada" • Tribunal de Contas do Município de São Paulo/Reprodução

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou nesta quinta-feira (25) que a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em estruturas do poder público é um dos principais desafios enfrentados pelas autoridades em São Paulo.

A declaração foi dada durante coletiva sobre a Operação Última Parada, que investiga a atuação da facção em empresas de transporte coletivo da capital paulista. Segundo o promotor, o grupo criminoso atua há anos buscando participação em contratos públicos e licitações de grande valor.

“É um desafio enorme. Não quer dizer que ele não possa ser vencido. O Ministério Público vem fazendo essa advertência de que o crime organizado há muito tempo já está infiltrado nos poderes do Estado”, afirmou.

Gakiya explicou que o objetivo da facção não é necessariamente ocupar cargos políticos, mas sim acessar recursos públicos por meio de negócios e contratos.

“Isso não quer dizer que o PCC queira se tornar um partido político, um prefeito, um governador ou um vereador. Mas ele quer participar de uma fatia dos negócios públicos, dessas licitações milionárias”, disse.

De acordo com o promotor, as investigações apontam um padrão de atuação em empresas de transporte coletivo, especialmente após mudanças estruturais em antigas cooperativas, que passaram a atuar como sociedades anônimas e demandaram capitalização.

“Houve a necessidade de aporte de capital e aqueles cooperados não tinham recursos para isso. Surge então o crime organizado através de interpostas pessoas para integralizar esse capital e depois cobrar essa fatura”, explicou.

Gakiya afirmou ainda que esse tipo de infiltração já foi identificado em outras empresas do setor e defendeu maior rigor na fiscalização dos contratos públicos, especialmente no transporte urbano, que movimenta grandes volumes de recursos.

“É preciso que o poder público e o Ministério Público façam uma contenção. Está evidente que há infiltração do crime organizado em empresas que participam de licitações públicas”, declarou.

Segundo ele, além das tarifas pagas pelos usuários, as empresas do setor também recebem subsídios milionários do poder público, o que amplia o interesse de organizações criminosas nesse mercado.

O promotor também ressaltou a necessidade de revisão dos mecanismos de controle e fiscalização, diante do volume financeiro envolvido nas concessões do transporte coletivo.

Posicionamento do PT

Em nota enviada à CNN Brasil, o Diretório Municipal do PT de São Paulo comentou a prisão do vereador Senival Moura e afirmou que acompanhará as investigações. O partido informou ainda que o caso será analisado pela Comissão de Ética e poderá resultar em medidas disciplinares, incluindo afastamento e eventual expulsão, garantindo o direito de defesa.