Empresa que financiou filme sobre Bolsonaro repassou R$ 26 milhões para firma investigada por lavagem de dinheiro para o PCC

Relatório da Polícia Civil aponta transferências da Entre Investimentos para empresa investigada por movimentar recursos ligados ao crime organizado.

Foto: Reprodução

A Entre Investimentos, financiadora do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, repassou R$ 26.225.110,00 para a ACX ITC Serviços de Tecnologia Ltda., empresa que, segundo a Polícia Civil de São Paulo, é investigada por lavar dinheiro para o PCC. De acordo com o relatório final da investigação, obtido pelo Portal Metrópoles, a Entre Investimentos depositou o dinheiro entre fevereiro e abril de 2025 para a conta da ACX ITC Serviços de Tecnologia Ltda.

A Entre Investimentos está registrada em nome de Antônio Carlos Freixo Junior. Segundo a reportagem do Metrópoles, foi por meio dessa empresa que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, enviou recursos para supostamente financiar o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, conforme versão apresentada pelo pré-candidato à Presidência da República em 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

A ACX ITC Serviços de Tecnologia Ltda., por sua vez, está registrada em nome de um vendedor de pipas que, conforme apurou o Metrópoles, admitiu ser laranja no negócio. A empresa também aparece em outro esquema investigado. Segundo a reportagem, dos cofres da ACX ITC saíram R$ 1,3 milhão para empresas vinculadas a ministros do Superior Tribunal Militar (STM) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

De acordo com o relatório da 2ª Delegacia do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil de São Paulo, a ACX ITC integrava um grupo de empresas utilizadas “para a movimentação espúria de valores, com cifras absurdas, e à margem do sistema financeiro nacional, sem nenhum tipo de controle ou fiscalização”.

“A Comunicação (…) do Coaf (…) trouxe notícias de que a empresa ACX ITC, também citada alhures e que possui fortes indícios de envolvimento com recursos oriundos do tráfico, movimentou R$ 918.378.510,00 (…), tendo figurado como remetentes dessas comunicações as empresas: (…) Entre Investimentos e Participações LTDA”, diz o relatório da 2ª Delegacia do Denarc.

A ACX ITC está registrada em nome de Ericsson Azevedo, de 50 anos, que confessou ser laranja.

Em depoimento, ele afirmou que estava em um campo de futebol no bairro do Jaçanã, na capital paulista, quando recebeu a proposta de R$ 5 mil para que ele e a esposa figurassem como proprietários da empresa. Segundo o depoimento, ele trabalha com a venda de pipas e rabiolas por meio de rifas, com renda de R$ 1 mil por rifa vendida.