EUA devem anunciar em breve decisão sobre tarifa de 25% para produtos brasileiros

Representante comercial afirma que negociações continuam, mas admite impasse entre os dois países

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O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou nesta quinta-feira (9) que o governo norte-americano deverá anunciar em breve uma decisão sobre a proposta de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

Segundo Greer, Brasil e Estados Unidos continuam negociando, mas ainda há divergências em relação às práticas comerciais adotadas pelos dois países.

“Tenho conversado com os brasileiros. Temos tentado negociar. Acho que ainda há uma grande distância entre nós, então vocês verão uma decisão final muito em breve sobre o Brasil, pois temos um prazo legal que vence em 15 de julho”, declarou em entrevista à Fox Business Network.

Empresas dos EUA pedem suspensão da tarifa

Nesta semana, representantes de empresas e entidades dos dois países participaram de audiências públicas para pedir que a nova tarifa não seja implementada.

Setores como os de arroz, gelatina, sementes, cera de carnaúba e agropecuária afirmaram que a medida poderá aumentar os custos para consumidores norte-americanos, além de encarecer alimentos, medicamentos e insumos agrícolas e provocar impactos nas cadeias produtivas dos Estados Unidos.

Entre as empresas que enviaram manifestações ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) estão Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens, todas defendendo a não aplicação da sobretaxa sobre produtos brasileiros.

Governo brasileiro rejeita negociar etanol isoladamente

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo brasileiro não discute a retirada do imposto de importação sobre o etanol norte-americano como parte das negociações comerciais.

Segundo o ministro, essa possibilidade, defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma audiência pública nos Estados Unidos, não faz parte da estratégia adotada pelo governo federal.

“O presidente Lula defende claramente que o tema do etanol não seja tratado nessa negociação e, mais, não seja tratado sem que nós também tratemos da questão do açúcar, que é sobretaxado nos Estados Unidos”, afirmou.

Nordeste pode ser um dos mais afetados

Márcio Elias Rosa também alertou que a ampliação da entrada de etanol norte-americano no mercado brasileiro poderia causar prejuízos ao setor sucroenergético, especialmente na Região Nordeste, onde se concentra uma importante parcela da produção nacional.

Segundo o ministro, o segmento já enfrenta redução de preços e exige atenção especial para evitar impactos econômicos sobre produtores e trabalhadores da região.

A decisão final do governo dos Estados Unidos sobre a proposta de tarifa deverá ser anunciada até 15 de julho, prazo estabelecido pela legislação norte-americana.