Abertura do comércio em Feira leva em conta “interesse das pessoas”, diz prefeito

O prefeito de Feira de Santana, Colbert Martins (MDB), afirmou nesta terça-feira, 16, que os decretos de abertura e fechamento de atividades na cidade leva em conta também o “interesse da população” em usar esses serviços. Hoje entra em vigor no município um plano de “abertura escalonada” no do comércio, segundo o emedebista.

De acordo com ele, nos 28 dias em que o município ficou com o comércio sem funcionar, houve aumento no número de casos porque, mesmo sem poder utilizá-los, as pessoas continuam a ir às ruas.

“O que mais importa nesse plano nosso, que é um plano de convivência com a epidemia, é um plano que a gente convive com mecanismos de abertura e fechamento com base no interesse das pessoas. Quando você abre uma loja, você não é obrigado a ir pra loja. Quando você abre um shopping, você não é obrigado a ir pro shopping. As pessoas ficam muitas vezes andando na rua de um lado por outro sem sabermos exatamente o que elas estão procurando porque muitas coisas foram fechadas”, explicou, em entrevista ao “Isso é Bahia”, rádio A TARDE FM.

Ainda segundo o prefeito, o nível de isolamento social tem ficado abaixo do esperado, “abaixo do nível de consciência das pessoas”. No sábado, foi de 45%. Subiu para 51% no domingo, quando mais pessoas costumam estar em casa.

Feira de Santana vive um vai e vem na abertura do comércio. O prefeito decidiu retomar as atividades em abril, mas voltou atrás em meados do mês passado ao ver um aumento no número de casos e internações. Nesta segunda, 15, Colbert anunciou que a gestão prepara um plano para “abertura escalonada do comércio”, algo que suscitou críticas do secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas.

“Critério é incidência de casos. E, quando a gente flexibiliza, é quando temos leitos suficientes. Nós ainda não temos, mas inauguramos o nosso Hospital de Campanha, que funciona com 60% da capacidade. Vamos ter a capacidade completa do hospital essa semana, temos uma segurança de termos mais leitos de retaguarda. Estamos contando com participação maior e mais direta dos comerciantes para adoção protocolo de segurança mais rígidos para nos ajudar a conter essa situação”, disse.

Médico epidemiologista, Colbert rebateu também as críticas de Vilas-Boas. “Com o respeito que temos ao secretário. Estamos chegando a permitir a abertura de lojas acima de 200 m², coisa que Salvador faz há 3 meses. O secretário, que está mais distante de Feira, não tem esse conhecimento”, contrapôs.

O prefeito reabre o comércio em um momento que a ocupação de leitos é alta. De acordo com ele, quatro dos cinco leitos de UTI do Hospital de Campanha aberto na semana passada estão ocupados. Dos 26 clínicos, 11 estão com pacientes. No Hospital Geral Clériston Andrade, 80% das unidades de UTI também estão com pacientes. Nos hospitais privados, o índice de ocupação de leitos de UTI também está próximo dos 80%.

Economia e investimentos
Ainda segundo o emedebista, a arrecadação com impostos municipais caiu mais de 50% por causa da pandemia. Com a queda, a gestão tem adotado medidas de redução de gastos.

“Tivemos redução de repasse do ICMS de mais de 30%, de repasses do FPM [Fundo de Participação dos Municípios] de 40%. Vamos manter pagamento dos salários em dia e vamos manter o pagamento das nossas obrigações contratuais”, ponderou.

O prefeito afirmou também que a cidade recebeu R$ 26 milhões em recursos do governo federal para o combate à pandemia. Deste valor, R$ 8,5 estão sendo aplicados no Hospital de Campanha e outros R$ 5 milhões na compra mais de 40 mil testes rápidos. Apesar da queda na arrecadação, Colbert assegurou que a prefeitura tem recursos municipais para manter ações contra a crise sanitária.

*Atarde