
Um dia após o feminicídio da estilista Tatiana Fonseca dentro do prédio onde morava na Pituba, seguido de suicídio do autor, outro crime similar ocorreu na manhã de sexta em Salvador. O caso ganhou repercussão ainda maior pelos personagens envolvidos: o prefeito de Conceição da Feira, Raimundo da Cruz Bastos, o Pompílio (PSD), e a esposa, Elba Rejane Silva, achados mortos no apartamento que tinham na cidade, situado no Le Parc, condomínio de luxo da Avenida Paralela.
Por volta das 11h, a Polícia Civil foi acionada para atender a um chamado feito por vizinhos de Pompílio e Elba, que haviam ouvido tiros no apartamento 1604 da Torre 9 do Le Parc. Ao chegarem ao local, que estava com a porta aberta, a equipe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) encontrou os corpos com sinais de disparos de arma de fogo, achada próxima ao prefeito. A partir daí, os investigadores começaram a montagem do quebra-cabeça para tentar esclarecer as mortes.
Contudo, os indícios até agora coletados pela polícia apontam para mais um feminicídio seguido de suicídio na capital. As câmeras de segurança do condomínio e edifício não mostram a entrada de nenhuma pessoa estranha ao local. A cena do crime, a princípio, também reforça a tese. Porém, o que torna o caso mais chocante é o histórico de convivência aparentemente tranquila e sem conflitos visíveis aos olhos da maioria das pessoas, de acordo com os primeiros relatos feitos por vizinhos do Le Parc e parentes de ambos.
Em Conceição da Feira, governada por Pompílio desde 2013, os dois eram vistos como exemplo de casamento bem sucedido, com demonstrações públicas de amor. Em 22 de novembro de 2018, quando o prefeito completou 59 anos, a primeira-dama publicou uma carta nos blogues locais, na qual declarava amor e admiração ao marido, homem de origem humilde que se tornou empresário de sucesso, dono de supermercados, fazendas, imóveis e granja para produção e abate de frangos no município, que integra o polo avícola do estado.
Fonte: Correio



