Com dificuldades, baianas de acarajé relatam estar morando há 8 meses em ginásio: ‘Esquecidas pelo poder público’

 

“Estamos esquecidas pelo poder público de nosso município”. É assim que a baiana de acarajé Liliane Rodrigues dos Santos, de 34 anos, se sente após oito meses morando em um ginásio poliesportivo, em Madre de Deus, na região metropolitana de Salvador.

Liliane mora no espaço com mais três baianas de acarajé e oito famílias de ambulantes. Todos ficaram sem trabalhar, por causa do isolamento social causado pela pandemia do coronavírus.

“Todos nós fomos prejudicados por causa dessa pandemia. Muitos vendiam na praia e na orla de Madre de Deus, mas teve um momento em que foi tudo fechado”, relatou em entrevista. 

Segundo a baiana, inicialmente foi feita uma manifestação em frente à prefeitura do município, em junho de 2020. No entanto, as famílias não tiveram o retorno esperado. Com isso, decidiram ocupar um terreno da prefeitura no mês seguinte.

“Chegando lá, alguns começaram a fazer seus barracos, mas como estava em um tempo chuvoso, o ex-prefeito resolveu tirar a gente de lá e colocar em outro lugar, por causa das crianças. Aqui tem muita criança”, afirmou.

Ainda segundo Liliane, o terreno que foi ocupado pelas famílias não tinha estrutura. Não tinha água, nem luz e, por causa disso, elas foram transferidas para o ginásio poliesportivo da região, onde estão até hoje.

Assim que se mudaram para o ginásio, uma equipe de assistência social foi ao local para fazer o cadastro das famílias e a doação de cesta básica. Porém, Liliane afirma que, depois disso, as famílias não tiveram nenhum tipo de assistência dos órgãos públicos.

“A prefeitura, o poder publico, precisa olhar para essa população que hoje vive em um estado de carência”, salientou.

Procurada, a prefeitura de Madre de Deus informou que a decisão de encaminhar as famílias para o ginásio foi gestão anterior. Disse ainda que “um levantamento e cadastramento das famílias que se encontram no local está sendo feito. Caso elas comprovem que são residentes do município, serão amparadas, como de direito, ao Aluguel Social, e a outros programas de complementação de renda”.

O ex-prefeito da cidade, Jailton Polícia (PTB) também foi procurado, mas não deu resposta.

*G1