Prefeito fura fila e MP informa que ato pode configurar abuso de poder e improbidade administrativa

Em Candiba, no centro-sul baiano, o prefeito Reginaldo Prado (PSD) foi uma das duas primeiras pessoas a tomarem a vacina contra a covid-19, mesmo sem fazer parte do grupo prioritário. O gestor tem 60 anos e foi eleito em 2020 para administrar a cidade de cerca de 15 mil habitantes. Nesse primeiro momento, apenas 100 doses da Coronavac foram destinadas à prefeitura que deveria, de acordo com o próprio plano municipal de vacinação, imunizar os trabalhadores da saúde e idosos com 75 anos ou mais.

Ainda de acordo com o plano municipal, o prefeito só poderia ser vacinado na fase 2, composta por idosos de 60 a 74 anos, em conformidade com a orientação do plano estadual de imunização divulgado pelo Governo do Estado. Mesmo assim, a divulgação da vacinação do prefeito da cidade aconteceu na própria rede social da prefeitura de Candiba.

“A biomédica Mirele Costa Cruz do Hospital e Maternidade de Candiba, profissional da linha de frente, juntamente com o Prefeito Reginaldo foram os primeiros a receber a dose da vacina”, escreveram.

A postagem gerou críticas dos seguidores, o que fez com que a prefeitura desativasse a opção de comentar naquela publicação. Após a repercussão negativa no município, na manhã dessa quarta (20), o prefeito apareceu em um vídeo tentando se justificar. Disse que foi convidado para encorajar os profissionais de saúde que estariam “preocupados” em tomar a vacina.

Ainda para o prefeito, a sua atitude foi fruto de uma boa intenção. “Eu tomei não preocupado com meu bem estar e sim em encorajar e incentivar as pessoas. Não senti dor e após 24h estou sem qualquer mal estar. Então, digo que as pessoas podem tomar a vacina, ela é eficaz, não tem dor, não tem nada de anormal”, argumentou.

Posições 
Procurada, a assessoria de comunicação da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou que a responsabilidade da fiscalização é do Ministério Público e da Polícia Federal.

Na segunda, enquanto aguardava a chegada das doses da coronavac em Salvador, o secretário de saúde Fábio Vilas-Boas já tinha comentado sobre a possibilidade da fila de vacinação não ser respeitada em algumas cidades do estado. “Eu não tenho como fiscalizar isso. Essa vai ser uma responsabilidade do gestor municipal”, disse.

O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) disse que tomou conhecimento do fato e que tomará as medidas cabíveis para apuração do mesmo. “A princípio, pode se configurar como crime de prevaricação, abuso de autoridade e ato de improbidade administrativa”, explicaram.

Ainda em vídeo, o prefeito de Candiba Reginaldo Prado (PSD) pediu desculpa pelo seu ato. “Peço perdão se errei, se fiz algo a desejar, mas a maior testemunha que eu tenho é Deus e a minha mente, que o meu objetivo foi dar de mim o melhor para o povo candibense e fiz isso ao tomar a vacina, incentivando outras pessoas a tomar”, concluiu.

Em nota, a prefeitura reafirmou que o prefeito foi imunizado em um ato de demonstração de segurança, legitimidade e eficácia da vacina, como forma de incentivo para a população que, segundo palavras da própria prefeitura, “está desacreditada”.

“Ele se enquadra nos critérios de vacinação, tem 60 anos, é hipertenso e diabético. A intenção foi apenas encorajar àqueles que ainda estão resistente e questionam a efetividade da vacina. Juntamente com ele, a biomédica Mirele, que está na linha de frente, também foi vacinada. Ainda hoje iniciaremos com a vacinação do restante dos profissionais de saúde”, disseram.

Fonte: Correio