Devoção: entenda como funciona a escolha e a entrega de presentes para Iemanjá

Festa de Iemanjá no Rio Vermelho 2017 | Foto: Daniele Rodrigues/GOVBA

Como cantava Dorival Caymmi: “Dia dois de fevereiro. Dia de festa no mar. Eu quero ser o primeiro para saudar Iemanjá”. Embora a divindade seja cultuada em diferentes épocas do ano pelo Brasil, é nesta data que Iemanjá recebe as reverências mais famosas, principalmente na Bahia, com a tradicional festa que é realizada no Rio Vermelho, em Salvador. Na ocasião, os devotos se dirigem as águas para entregar suas oferendas à Rainha do Mar.

Iemanjá, divindade africana das religiões do Candomblé e de Umbanda, é considerada a mãe das águas e de quase todos os Orixás. Segundo os historiadores, a tradição de entregar presentes para ela começou em 1923 quando um grupo de pescadores decidiu consultar os búzios para entender a falta de peixes e foram orientados a pedir ajuda a Iemanjá e a presenteá-la. A tradição foi crescendo e, na década de 1950, foi oficializada como a “Festa de Iemanjá”.

iBahia conversou com os Babalorixás Pai Ducho de Ogum, do Terreiro Ilê Axé Awa Ngy, e com Idelson Salles, do Ilê Axé Ogunjá, para entender melhor como funciona a escolha dos presentes e a celebração, que este ano será diferente em virtude da pandemia do novo coronavírus.

Na Festa de Iemanjá, do Rio Vermelho, todo ano um terreiro de candomblé fica à frente das obrigações religiosas. O Babalorixá Pai Ducho de Ogum foi eleito pelos pescadores da colônia do Rio Vermelho como o responsável pelo presente de 2021. “Vamos fazer um balaio muito odara, muito bonito, com uma Iemanjá dentro, com todas as coisas que pertencem a ela, que vamos levar no dia 2, às 8h da manhã, para a embarcação e ‘arriar’ no mar”, explica Pai Ducho, sobre a entrega deste ano.

É importante salientar que o dia de reverência Iemanjá é relativo e cada terreiro tem seu calendário específico de homenagens. Como a celebração se tornou tradição no dia 2 de fevereiro, na capital baiana, acabou sendo um dia especial também para os terreiros. Além disso, a entrega de presentes pode ser feita em outras localidades para além da praia do Rio Vermelho – a preferência é que seja em local de água.

Presente para Iemanjá | Paula Fróes/GOVBA

Importância da celebração 

Em 2020, a prefeitura da capital baiana concedeu o título Patrimônio Cultural de Salvador à Festa de Iemanjá, que acontece no dia 2 de fevereiro, no Rio Vermelho. No ato solene, ACM Neto, que era o prefeito, reforçou que é um sinal de respeito à importância histórica da celebração.

“A gente só constrói uma sociedade forte preservando a nossa história e projetando o futuro através da nossa sociedade”, disse ACM Neto, que também pontuou que Salvador é a capital da diversidade e que a gestão municipal precisa saber estimular e respeitar o convívio com as diferenças, inclusive religiosas.

(iBahia)