Jasiane Silva Teixeira, de 36 anos, conhecida como “Dona Maria”, foi detida nesta sexta-feira (24) na zona leste de São Paulo. Procurada por acusações de homicídio, ela também é suspeita de liderar o tráfico de drogas no sudoeste da Bahia, atuando em parceria com a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, em seu esconderijo foram encontrados mais de R$ 50 mil em dinheiro e vários aparelhos celulares.

“Dona Maria” assumiu o posto após a morte de seu ex-marido em um confronto com a polícia. Ela respondia a três processos criminais, incluindo o assassinato de um agente penitenciário, e era apontada como a líder da facção Bonde do Neguinho (BDN). A Polícia Civil afirmou que ela ordenava execuções na Bahia, sobretudo na região de Vitória da Conquista.
Prisão anterior e soltura polêmica
Em setembro de 2019, Jasiane foi presa pela primeira vez em São Paulo e transferida para o Conjunto Penal de Juazeiro, mas foi solta em março de 2020. Na ocasião, o desembargador Lourival Almeida Trindade considerou a prisão semiaberta como ilegal devido à ausência de justa causa, levando em conta que ela era mãe de duas crianças menores, de 10 e 5 anos na época.
Nesta nova prisão, realizada em Mogi das Cruzes (SP), Jasiane estava acompanhada de Márcio Faria dos Santos, conhecido como “Carioca”, uma liderança do PCC. A operação foi conduzida por policiais do Draco, Depin e outras inteligências da Polícia Civil baiana.
A ‘Dama de Copas’ do Baralho do Crime
Apelidada de “Dama de Copas” no Baralho do Crime da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, Jasiane foi apontada como responsável direta por uma série de crimes, incluindo homicídios, tráfico de drogas e armas, corrupção de menores e roubos. Ela foi transferida para a Bahia sob forte esquema de segurança organizado pelo Grupamento Aéreo da PM (Graer) e equipes do Draco e Depin.
Apesar de sua trajetória criminal, ela nega o apelido e as acusações. Em entrevista após sua prisão, afirmou: “Meu nome é Jasiane Silva Teixeira. Não reconheço esse apelido de Dona Maria. Isso surgiu por uma brincadeira do meu falecido marido em uma escuta telefônica. Eu não sou um monstro, não sou um bicho. Sou um ser humano e sei que Deus vai transformar minha vida.”
Carta e luta pela liberdade
Em 2019, mesmo após receber um habeas corpus do STF, o Ministério Público pediu sua prisão preventiva no mesmo dia. Desde então, a figura de “Dona Maria” segue cercada de polêmicas, sendo considerada uma das mulheres mais influentes no crime organizado no Brasil.
Atualmente, Jasiane afirma estar disposta a mudar de vida e nega ser a grande traficante que muitos apontam: “Se eu fosse tudo isso, não estaria aqui algemada. Eu sou apenas um ser humano e vou lutar para transformar minha história.”
Fonte: Correios


