TCM determina suspensão de cachês acima da média para atrações do São João de Irecê

Medida atende representação do Ministério Público da Bahia, que aponta aumentos considerados excessivos nos contratos de artistas para os festejos juninos de 2026.

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O Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) determinou a suspensão do pagamento de cachês de artistas contratados para o São João de Irecê que ultrapassem a média dos valores pagos pelo município em 2025, corrigidos pela inflação. A decisão cautelar foi proferida no último dia 29 e atende a uma representação apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MPBA).

Segundo o MP, o município descumpriu critérios estabelecidos em uma nota técnica conjunta elaborada por órgãos de controle, que orienta as contratações artísticas para os festejos juninos deste ano. A medida permanecerá válida até o julgamento definitivo do caso.

Na representação, a promotora de Justiça Edna Márcia aponta possíveis irregularidades na organização do evento conhecido como “São João do Século”, incluindo aumentos expressivos nos cachês, falta de transparência e gastos considerados incompatíveis com a realidade financeira do município.

De acordo com dados publicados no Painel Nacional de Contratações Públicas (PNCP), a Prefeitura de Irecê prevê investir cerca de R$ 10,2 milhões em atrações musicais. O valor corresponde a 36,6% do orçamento municipal destinado à cultura e a 10,67% da receita corrente própria prevista para 2026.

A investigação identificou casos em que os cachês sofreram reajustes de até 71,06% acima do limite permitido pela atualização do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Conforme o MP, o município não apresentou justificativas técnicas que comprovassem ganho de notoriedade dos artistas ou outros fatores capazes de respaldar os aumentos.

A fiscalização segue os parâmetros definidos pela Nota Técnica Conjunta nº 01/2026, elaborada pelo MPBA, TCM, Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Ministérios Públicos de Contas. O documento estabelece que os contratos devem considerar como referência a média dos cachês pagos entre maio e julho de 2025, atualizada pelo IPCA.

Segundo o Centro de Apoio Operacional de Defesa do Patrimônio Público (Caopam), o objetivo da medida não é impedir a realização dos festejos juninos, mas assegurar que os recursos públicos sejam aplicados com responsabilidade, transparência e respeito ao interesse coletivo.