Protesto marca enterro de jovem morto em Salinas; família contesta versão da PM e pede justiça

Cortejo do jovem Marcos Antônio reuniu centenas de pessoas após morte em ação da PM em Salinas da Margarida.

O corpo de Marcos Antônio Ribeiro dos Santos, de 25 anos, foi enterrado neste sábado (17), em Nazaré. Sob muita comoção, familiares e amigos vestiram branco, uns de moto e outros caminhando do Velório Municipal até o Cemitério. O jovem foi morto durante uma ação da Polícia Militar em Encarnação de Salinas.

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Segundo a polícia, uma barricada improvisada com galhos de árvores foi montada para dificultar o patrulhamento na BA-001, no entroncamento que dá acesso a Salinas da Margarida. Ao descerem da viatura para remover os galhos, a polícia disse que foi surpreendida por disparos de arma de fogo. A guarnição reagiu e os indivíduos fugiram em direção ao centro da cidade.

Durante a perseguição, houve troca de tiros e os indivíduos foram localizados na localidade de Encarnação de Salinas, onde houve um novo confronto. Um deles foi baleado e caiu no chão, se tratava de Marcos Antônio, morador da cidade de Nazaré. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

A família nega qualquer envolvimento de Marcos com a criminalidade. Parentes e amigos afirmam que o jovem havia ido ao local para participar de um evento. Ele era conhecido por trabalhar no comércio de Nazaré e participar de encontros de motociclistas que praticam manobras conhecidas como “grau”. Amigos do jovem acompanharam o cortejo fúnebre neste sábado (17), sob protestos por causa da ação policial.

“A gente viu crescer, muitas pessoas na cidade conhecem porque ele trabalhava no centro da cidade, e estamos aqui pra desfazer o que estão dizendo em relação a tráfico, a troca de tiros, porque ninguém aqui conhece esse lado, então temos que falar do que a gente vive junto com ele, e estamos aqui pra divulgar esse vídeo, pedindo a todos que essa impunidade não fique da forma, porque não vai ser o último, infelizmente não será o último. E a gente está aqui como família e amigos para pedir a justiça. A gente sabe que a do homem às vezes demora, mas primeiramente a de Deus. E dizer que Marquinho, pai de família, é trabalhador, que todo mundo ama. Vocês vão ver nas redes sociais vários vídeos do enterro, onde muitas pessoas vieram. E para desfazer o que estão dizendo aí em relação ao tráfego, à facção. E ainda que fosse, a justiça está aí para que cada um possa se defender. Não era direito de chegar e matar dessa forma.”, desabafou um familiar.

Nas redes sociais, vídeos do enterro mostram a mobilização popular e os pedidos para que as circunstâncias da morte sejam esclarecidas pelas autoridades.