
A fábrica de colchões no bairro de Valéria, em Salvador, que foi atingida por um incêndio na manhã de terça-feira (19), não tinha licença do Corpo de Bombeiros. A informação foi confirmada pelo capitão da corporação, Carlos Grimaldi, nesta quarta-feira (20).
Segundo o capitão, a empresa tinha começado o processo do projeto de licenciamento, que chegou a ser aprovado, mas não concluiu o processo.
“Essa empresa começou o processo de licenciamento junto ao Corpo de Bombeiros no meio do ano passado [2018]. A empresa conseguiu fazer aprovação do projeto, onde um engenheiro [fez] um dimensionamento, em planta, [verificou] a necessidade de acordo com a nossa legislação”, afirmou.
Apesar disso, a fábrica não concluiu a etapa de vistoria prática, quando passaria por verificação dos bombeiros.
“O segundo momento seria a vistoria em loco do Corpo de Bombeiros. Após a instalação dos extintores, da rede de hidrante, o Corpo de Bombeiros volta ao local para fazer as verificações, [checar] se tudo está funcionando, se foi colocado de acordo com o projeto previamente aprovado. Neste momento do licenciamento, a empresa não retornou ao Corpo de Bombeiros e hoje ela não possuiu o alto de vistoria do Corpo de Bombeiros”, pontuou o capitão Grimaldi.
Ainda segundo o capitão, as exigências do licenciamento são em função do tamanho da empresa.
“A dinâmica da nossa legislação é de que, quanto maior a edificação, mais alta, maior será a medida de segurança necessária naquele local. Quanto mais complexa a edificação, maiores, mais complexas as medidas de segurança instaladas [e exigidas] naquele local.
O incêndio ocorreu na Rua Eurico Temporal, na manhã de terça-feira (19). Cerca de 20 casas precisaram ser desocupadas, segundo a Defesa Civil de Salvador (Codesal). As famílias que não conseguiram abrigo na casa de parentes foram acolhidas em um centro comunitário do bairro onde fica a fábrica. Ninguém ficou ferido.
Sessenta por cento da fábrica ficou destruída. As chamas começaram em uma área de produção de blocos de espuma, e o material inflamável fez com que o fogo se espalhasse rapidamente. A equipe de brigadista da fábrica que chegou por volta das 6h no local tentou apagar o incêndio, mas não conseguiu porque as chamas aumentaram muito rápido.
“Eu e quatro colegas fomos para cima do fogo [para apagar], mas só que não deu tempo. O fogo se alastrou muito rápido e a gente não teve reação de fazer mais nada”, disse o brigadista Jean Vieira.
Os moradores que estavam nas proximidades da fábrica relataram ter escutado barulhos de dentro do espaço, como se algumas estruturas estivessem desabando na parte interna do imóvel.
Uma fumaça preta e muito densa se formou no local e se espalhou rapidamente pelo bairro e regiões próximas, como um trecho da BR-324.
A Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) foi acionada para cortar a transmissão da rede de energia elétrica, para evitar novas ocorrências. Vários caminhões-pipa da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) foram acionados para abastecer as viaturas dos bombeiros.
Um galpão da fábrica foi completamente atingido pelo fogo. No local, além de documentos, estavam dois cachorros que foram retirados do local com vida. O incêndio foi dado como controlado por volta de 11h, após 5 horas de trabalho dos bombeiros.
Apesar disso, na manhã desta quarta, ainda havia focos de fogo no local. Um dos moradores relatou que a fumaça dificultava a respiração.
“Empata de respirar. Dificuldade para respirar. Estamos esperando uma solução ainda tem fumaça no local”, contou um dos moradores.
As causas do incêndio serão investigadas.
*G1



