
Milhares de baianos e turistas têm um compromisso marcado na segunda quinta-feira de janeiro: a Lavagem do Bonfim. Em 2026, o festejo acontece no dia 15 e inicia o tradicional percurso a pé entre a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia e a Colina Sagrada do Bonfim, em Salvador. Considerado um dos eventos mais emblemáticos da Bahia, o cortejo reúne elementos de fé, ancestralidade, cultura e política.
O trajeto, que ultrapassa 6,5 km em plena estação de verão, exige dos fiéis cuidados com saúde e hidratação, devido ao calor e ao grande volume de pessoas na Cidade Baixa. Vestidos de branco, os participantes acompanham o cortejo das baianas, que seguem até a Basílica do Senhor do Bonfim para a lavagem simbólica das escadarias com água de cheiro, cânticos e toque de atabaque, preservando a herança afro-brasileira do ritual.
Após a lavagem realizada por cerca de 200 baianas, a festa continua no Largo do Bonfim, com batucadas, danças populares e barracas de comidas e bebidas típicas. No domingo seguinte, os devotos participam da procissão dos Três Pedidos, que sai da Igreja dos Mares em direção ao Bonfim. No local, os fiéis dão três voltas em torno da Basílica e fazem seus pedidos, encerrando a programação com missa solene e bênção do Santíssimo Sacramento.
Além do aspecto religioso e cultural, a Lavagem mantém uma forte dimensão política. Há décadas, o cortejo é considerado um termômetro de popularidade para lideranças públicas e um espaço estratégico de articulação. A presença de políticos no trajeto de oito quilômetros é vista como uma demonstração de proximidade com o povo e um movimento obrigatório em anos eleitorais. Nos bastidores, conversas e ensaios de alianças também fazem parte da festa, enquanto movimentos sociais utilizam o evento para levantar pautas e reivindicações.
A Lavagem do Bonfim chega a 2026 celebrando 272 anos de tradição, reforçando sua posição como uma das manifestações culturais mais importantes do país e um patrimônio simbólico da Bahia.


