
O restaurante por quilo, uma das grandes instituições brasileiras, e o bufê de café da manhã entraram em xeque depois da pandemia. Como garantir que o coronavírus não circule em um ambiente em que pratos e talheres ficam inevitavelmente expostos? O futuro do self-service em hotéis e no almoço está ameaçado?
A nutricionista Eliana Bistriche Giuntini, do Centro de Pesquisa em Alimentos da Universidade de São Paulo (USP), afirma que os restaurantes por quilo se firmaram no Brasil como uma forma barata de incentivar as pessoas a terem uma alimentação mais balanceada.
“No self-service temos uma série de vegetais e opções de salada. Alimentos que não estão disponíveis normalmente na rotina dos brasileiros por fatores individuais. Nesse caso, as pessoas tendem a experimentar coisas novas e terem mais opções para montar um prato razoavelmente equilibrado.”

“Extinguir esse tipo de atendimento não é uma boa solução, até porque o brasileiro adicionou essa modalidade de alimentação na sua cultura. O ideal seria adaptar soluções para manter o serviço e proteger os clientes”, afirma Giuntini.
Mas Renato Grinbaum, da Sociedade Brasileira de Infectologistas (SBI), explica que os restaurantes terão dificuldades em orientar e controlar os clientes no serviço de quilo e, por enquanto, deveria ser evitado o self-service. “Não sabemos quais as maneiras de higiene de cada pessoa e não temos como controlar isso.”
O compartilhamento de talheres utilizados para pegar a comida é um dos principais focos de preocupação.
Além do protocolo de reabertura seguido em cada estado, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) criou uma cartilha com recomendações para a reabertura dos empreendimentos do setor. As orientações para restaurantes self-service incluem:
- disponibilizar no local onde ficam os pratos e talheres frascos de álcool gel 70%, máscaras e luvas descartáveis.
- orientar os clientes a higienizarem as mãos com álcool gel, utilizarem máscaras e luvas antes de manusear pratos e talheres.
- manter no início da fila de acesso ao bufê um funcionário orientando os clientes.
- inserir marcações no chão, indicando a distância mínima de 1 metro entre os clientes na fila do bufê
E há também as orientações mais gerais para estabelecimentos comerciais:
- mesas com espaçamento para respeitar o distanciamento social
- redução do atendimento
- uso obrigatório de máscaras dentro do ambiente
- orientação de higienização para os funcionários



