Ameaçada de processo, Anvisa diz que avalia dados de vacinas com ‘ética e respeito’

Em meio a possibilidade de ter que responder na Justiça pelas críticas que fez à vacina russa contra a Covid-19, Sputnik V, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) assegurou que tem atuado com “ética e respeito” com todas as empresas que pretendem ter vacinas contra a covid-19 autorizadas no Brasil.

Responsável por financiar o desenvolvimento da Sputnik V, o fundo soberano da Rússia quer processar a Anvisa pelas declarações do órgão sanitário brasileiro em relação ao imunizante. O fundo está consultando advogados brasileiros para avaliar as possibilidades. A decisão sobre entrar ou não com uma ação judicial deve ser tomada nos próximos dias.

Ao barrar a entrada do imunizante, os diretores da Anvisa alegaram faltar dados técnicos e pendências na documentação apresentada pelo Instituto Gamaleya, desenvolvedor da Sputnik V. Sem os dados, argumenta a Anvisa, não há como verificar se a vacina é segura e eficaz e se pode trazer riscos à saúde. De acordo com a agência, cabe ao desenvolvedor da vacina responder de maneira satisfatória aos questionamentos apontados pelo órgão regulador.

“A Anvisa já aprovou outras cinco vacinas e a autorização do processo da vacina Sputnik V depende do desenvolvedor, ou seja, os estudos devem ser apresentados e as dúvidas referentes às questões exaustivamente já apontadas devem ser esclarecidas e resolvidas. A transparência, o debate técnico qualificado e os dados técnicos podem comprovar a segurança, a eficácia e a qualidade de um produto que pode salvar milhares de vidas”, diz a nota.

A agência ainda ressaltou que a análise da Sputnik V “não abandonou os preceitos básicos da conduta técnica” para a aprovação das vacinas e que o rigor técnico é aplicado nas reuniões e trocas de informações, mas que “não falta respeito pelos países e suas autoridades e nem pelo desenvolvimento científico”.

*BN