Quatro anos após a pandemia, Brasil terá memorial para vítimas da covid-19

Nísia participa da abertura do Seminário para Concepção e Criação do Memorial da Pandemia da Covid-19. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Nísia participa da abertura do Seminário para Concepção e Criação do Memorial da Pandemia da Covid-19. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Quatro anos após a OMS declarar a covid-19 como pandemia, o Brasil anuncia a criação de um memorial para homenagear as vítimas da doença que matou mais de 710 mil pessoas no país. O local escolhido foi o Centro Cultural do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, destacou a importância de manter viva a memória das vítimas e aprender com as lições da pandemia. “Ao falarmos de um memorial e de uma política de memória, não circunscrevemos a pandemia de covid-19 ao passado. Sabemos do componente presente, político, das ações de memória”, disse.

Nísia também lembrou da desigualdade no acesso às vacinas durante o início da pandemia, quando apenas 10% dos países tinham acesso aos imunizantes. “Não pelo negacionismo, como vivemos no Brasil, mas pela desigualdade na distribuição e produção de vacinas e outros insumos”, ressaltou.

A ministra defendeu o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) como forma de enfrentar futuras pandemias. “Só um sistema de saúde potente e resiliente pode fazer frente a possíveis e futuras pandemias que o mundo todo discute”, afirmou.

Para Rosângela Dornelles, representante da Rede Nacional das Entidades de Familiares e Vítimas da Covid, a pandemia deixou marcas de profundo sofrimento na população brasileira. “No Brasil, ela foi agravada pela desresponsabilização do Estado na coordenação de medidas para seu combate, pelo desmonte de serviços públicos e pelo negacionismo ao seu enfrentamento”, disse.

Dornelles também destacou a bravura dos trabalhadores do SUS e a necessidade de defender o sistema. “Cabe lembramos da bravura dos trabalhadores do SUS, que enfrentaram com suas vidas essa doença. Antes mesmo da covid-19 e mais agora no pós-pandemia, a defesa do SUS exige que apontemos para o seu redimensionamento”, afirmou.

A representante da Rede Nacional das Entidades de Familiares e Vítimas da Covid também defendeu a responsabilização dos gestores públicos e privados pela negligência durante a pandemia. “Responsabilizar sim os gestores públicos e privados, negligentes ou omissos, e recompor as políticas de direitos e proteções sociais de forma articulada, com ousadia e expectativas ampliadas”, disse.

A criação do memorial é um passo importante para honrar a memória das vítimas da covid-19 e aprender com as lições da pandemia. O desafio agora é garantir que as políticas públicas sejam fortalecidas para que o país esteja mais preparado para enfrentar futuras crises.



Veja mais notícias no blogdovalente.com.br e siga o Blog no Google Notícia