A senhora Arianna, moradora de Santo Antônio de Jesus, denunciou a falta de apoio da Secretaria Municipal de Saúde para o transporte do seu filho Miguel, de 9 anos, que é autista, possui epilepsia e outras comorbidades, para uma consulta médica em Salvador. Segundo ela, mesmo com relatório médico indicando a urgência do atendimento, a família não conseguiu o transporte oferecido pelo poder público e enfrentou uma verdadeira saga para realizar a viagem.

Miguel está atualmente internado na ala pediátrica do Hospital Regional com uma infecção de pele e dores abdominais, associadas a um quadro de febre reumática em investigação. A mãe relatou que o menino havia feito dois tratamentos em casa sem sucesso e que a piora ocorreu justamente após a tentativa frustrada de atendimento na capital baiana.
“Ele convulsionou na vã, tive que carregar ele no colo com 35kg, muito cansado, com febre e dor. Foi um sofrimento grande”, contou Arianna, que precisou se deslocar por meios alternativos como van, ferry boat, transporte urbano e até mesmo carro particular, custeados por doações de amigos e conhecidos, que arrecadaram R$ 250 para auxiliar na viagem.
Mesmo assim, a exaustiva jornada resultou na perda de uma das consultas médicas, já que chegaram atrasados ao hospital e a dermatologista já havia deixado o local. Miguel foi atendido apenas pela reumatologista, que emitiu um novo relatório reforçando a necessidade de um transporte único e direto para a criança nas próximas consultas, devido às condições clínicas delicadas.
Arianna lamenta a ausência de apoio institucional. “Infelizmente, o município negligencia as mães atípicas. Não conseguimos falar com a secretária de Saúde, que tem até o mesmo nome que o meu. Sempre é ‘não’ como resposta. Nunca vi ela pessoalmente”, desabafou.
Ela também cobrou mais atenção por parte da gestão municipal. “Cadê o prefeito, a vice-prefeita? A gente ajudou na eleição. Por que esse abandono com tantas famílias?”, questionou.


