Moradores de Itaparica reclamam de restrições e temem cobrança de taxas após mudanças na marina

Concessionária Portmar, que assumiu gestão do espaço, afirma que o bloqueio é temporário e que não haverá cobrança para os itaparicanos

Foto: SeturBA

Os moradores de Itaparica foram surpreendidos por mudanças no acesso à marina do município, após o início da administração da concessionária Portmar. Desde o começo de novembro, o acesso ao equipamento foi bloqueado, gerando temores de cobrança de taxas para embarque, desembarque e entrada no local.

Segundo relatos, as modificações foram implementadas sem diálogo com a comunidade, o que tem causado apreensão entre pescadores e frequentadores habituais do espaço. Parte dos moradores teme que a restrição impacte tanto o uso recreativo da marina quanto as atividades de pesca e turismo local.

Em resposta, o sócio superintendente da Portmar, Gilberto Menezes, afirmou ao BNews que o bloqueio é temporário e ocorre por conta de reparos e melhorias estruturais. Ele lembrou que o local foi reformado pelo Governo da Bahia, mas ficou fechado por cerca de três anos até a concessão à empresa privada.

“A marina tem que ter segurança, porque vão guardar bens das pessoas, seja do morador, da escuna de turismo ou da lancha do veranista. No Brasil todo é assim”, explicou Gilberto Menezes.

O empresário garantiu que não haverá cobrança de taxa para os moradores — nem para o acesso a pé nem para atracação de embarcações locais —, e que apenas turistas pagarão R$ 10 por passageiro.

“Várias embarcações de moradores de Itaparica que fazem turismo não estão pagando taxa de atracação. Apenas o passageiro turista paga, porque ele vai usar banheiros e outras instalações da marina”, disse.

Menezes também afirmou que a marina deve ser reaberta até o final do ano, com novidades como restaurante, lojas e melhorias nos sistemas de esgoto, água e energia elétrica.

A Portmar assumiu a operação da marina em setembro de 2025, após vencer licitação do Governo da Bahia, que incluiu também as bases náuticas da Penha (Salvador), Cacha-Pregos (Vera Cruz) e Salinas da Margarida.

O contrato de concessão, com vigência de 30 anos e valor estimado em R$ 12,7 milhões, prevê investimentos e manutenção das estruturas náuticas. O governo estadual informou que, antes da concessão, foram investidos cerca de R$ 100 milhões na requalificação das marinas.

O secretário de Turismo da Bahia, Maurício Bacelar, confirmou que a cobrança de taxa está prevista no contrato, mas cabe à concessionária decidir se aplicará ou não.

Uma das fontes de receita que está prevista é a cobrança de taxa. Quando entregamos à iniciativa privada, ficou decidido que a empresa também pagará uma taxa ao governo”, explicou.

Nota da Portmar

“A finalidade primordial dessa infraestrutura náutica é a guarda e o apoio às embarcações particulares de residentes e turistas, razão pela qual está obrigada a assegurar o controle de acesso em suas instalações.
A empresa tem o compromisso de fortalecer a náutica na Baía de Todos-os-Santos, mantendo diálogo com os moradores e implementando uma política de preços diferenciada que atenda aos anseios locais.”