Trump exigiu que Brasil barrasse China e eliminasse taxas aos EUA, diz jornalista

Segundo Jamil Chade, proposta apresentada pelo governo dos EUA condicionava redução de tarifas a mudanças em setores estratégicos da economia brasileira.

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O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria condicionado uma eventual redução das tarifas sobre produtos brasileiros à adoção de uma série de medidas que incluíam restrições a investimentos chineses em setores estratégicos e maior abertura do mercado brasileiro para empresas americanas. As informações foram divulgadas pelo jornalista Jamil Chade.

De acordo com a reportagem, a proposta foi apresentada ao governo brasileiro no início de 2026, durante as negociações comerciais entre os dois países. O documento previa mudanças em áreas como agricultura, comércio digital, indústria, mineração, tecnologia, setor aeroespacial e legislação trabalhista.

Entre as exigências estariam a eliminação de tarifas sobre o etanol e produtos industriais dos Estados Unidos, a flexibilização de regras para veículos, medicamentos e equipamentos médicos americanos, além da adoção de medidas para limitar investimentos de empresas ligadas ao governo chinês no setor de minerais considerados estratégicos, como as terras raras.

Ainda segundo a publicação, os Estados Unidos também solicitaram garantias de tratamento considerado justo às empresas americanas do setor digital e defenderam a remoção de barreiras para a atuação de plataformas e prestadores de serviços tecnológicos no Brasil.

Em contrapartida, a proposta previa apenas a redução das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros. Conforme a reportagem, integrantes do governo brasileiro interpretaram o documento como uma exigência que afetaria a autonomia do país em temas econômicos e comerciais.

A reportagem afirma ainda que o conteúdo contrasta com declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que atribuiu ao governo brasileiro a falta de avanços nas negociações comerciais.