Namorar: enlouquecer ou enloucrescer? Por Gilnês Sampaio

Mês dos namorados, Junho, mês dos festejos juninos, incluindo Santo Antônio, popularmente conhecido como o “Santo Casamenteiro”.
Quando Cupido acerta uma pessoa, ela se apaixona, fica encantada, ansiosa para encontrar o seu “amor”. Investe na aparência, quer estar sempre arrumada e cheirosa. Tudo fica colorido. É mágico!
Flerte, paquera, transa…
Como está essa dinâmica na atualidade?
Fala-se em “ficar”. Busca-se “prazer”. As pessoas querem “liberdade”.
Namorar? Você ficou louco? Será que as pessoas ainda namoram?
Nos dias atuais as relações são mais inconstantes. As pessoas vivem o medo de ser rejeitado, magoado, principalmente o medo de assumir compromissos.
Parece que Cupido vem perdendo a sua mira.
Para manter a libido entre os casais, as pessoas precisam, cada vez mais, de novos recursos excitatórios.
Namorar deixou de ser a arte de fazer amor. Já não se faz amor, embora assim o digam.
A prática do sexo vem se transformando numa luta de poder, numa competição de “pegadas”.
O resultado é desastroso. Relacionamentos abusivos, fracassados. Famílias em desordem. Filhos desajustados.
Quando namoramos, ficamos mais íntimos um com o outro. Nossas defesas relaxam, baixamos nossas armas, evoluímos.
Queimamos etapas.
Perdemos a oportunidade de olhar para nós mesmos através do outro. Deixamos de ressignificar sentimentos negativos. Esquecemos de ajustar as nossas relações.
A chave para um relacionamento saudável é honrar o compromisso com o crescimento interior, com a própria evolução, com a própria transformação.
Quando encontramos a nossa contraparte, esse é o preço a ser pago por um relacionamento enriquecedor, que nos prepara para a vida, para a maternidade e paternidade.
Já dizia Carlos Drummond: “Quem não tem namorado(a) é alguém que tirou férias de si mesmo. Não tem namorado(a) quem não fala sozinho, não ri de si mesmo, tem medo de ser afetivo e afetado… Se você não tem namorado (a) é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, valer a pena, fazer sentido. Enloucresça”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gilnes Sampaio
Psicanalista Clínica Didata