
Uma das principais atletas olímpicas da Bahia e do Brasil, a boxeadora Adriana Araújo está vivendo uma grande fase. Invicta em sua carreira no pugilismo profissional, com cinco vitórias, a baiana é campeã silver do Conselho Mundial de Boxe (WBC) e foi indicada como revelação do ano pela organização.
Além disso, a medalhista olímpica será um dos destaques do evento ‘Boxing for You 8’, que acontece no dia 29 de fevereiro em São Paulo (SP). Adriana tentará defender seu cinturão contra a também invicta Estheliz Hernández, venezuelana número um do ranking de seu país.
Em uma brecha da sua intensa preparação para o combate, a boxeadora conversou com o Varela Notícias sobre sua vida, carreira e planos futuros.
Você fez a transição do boxe amador para o boxe profissional em 2017, logrando bastante sucesso e obtendo um cartel invicto. Como foi essa mudança?
A transição já era desejada por mim, desde a minha exclusão da seleção brasileira de boxe em 2012, mas minha equipe quis me manter no boxe olímpico para tentar um novo ciclo olímpico em 2016. Apesar do boxe olímpico e o profissional terem ritmos totalmente diferentes, para mim, a transição foi bastante tranquila. Eu já tinha um estilo mais versado no boxe profissional, o que ajudou muito na adaptação a nova modalidade.
Você acabou de ser indicada como uma das revelações do boxe feminino mundial num prêmio internacional. Como você se sente sobre isso e quais suas expectativas?
Me sinto muito feliz, sabendo que mesmo em meio a dificuldades venho me superando e conseguindo fazer mais história em minha vida. As minhas expectativas são as melhores, essa indicação é muito pouco para o que quero. Eu quero o título linear, sei da minha capacidade e estou me preparando para isso junto da minha equipe.
Você vai ser uma das estrelas do próximo Boxing for You, onde defenderá seu cinturão do WBC. Quais suas expectativas para esse combate?
Mais uma vez eu sou um dos carros chefes do Boxing for You, e isso é muito importante para mim. O boxe feminino está tendo seu espaço entre os homens, saber que nós mulheres estamos crescendo e ser a protagonista do evento me deixa muito feliz. Eu estou muito bem, me preparando a cada dia para essa defesa, e esse título ficará aqui no Brasil. Já conheço minha adversária do boxe olímpico, ela tem um estilo de luta bem parecido com o meu, o que me ajuda, afinal ela vai tentar medir força comigo. Vou usar o que tenho de bom, que é a mão dura na cabeça e no corpo dela.
A campeã mundial da sua categoria é a americana Jessica McCaskill. Quais são seus planos para tomar o cinturão da divisão e qual sua opinião sobre a campeã?
Olha, eu venho do boxe olímpico, já fui testada contra as melhores do mundo, sou acostumada a lutar com todas as lutadoras mais renomadas do boxe mundial, e obtive grandes resultados sobre essas atletas. Com a Jessica não vai ser diferente, pode ter certeza que já estou preparada para esse momento, pra tirar esse cinturão que está nas mãos erradas. Ele vai vir para o Brasil. Conheço a campeã de algumas lutas, vi a forma que ela luta, gosta de vir pra dentro, é corajosa, mas não vi boas qualidades técnicas, nem ela pegou ainda uma atleta dura. Com certeza serei um grande problema para ela.
Todas suas lutas profissionais foram em São Paulo e no Rio de Janeiro. Você tem o desejo de lutar em Salvador? Há alguma chance?
Até o dia 20 de janeiro o Boxing for You estava tentando fechar minha luta aqui em Salvador, mas infelizmente a promotora não conseguiu fechar e a defesa voltou para São Paulo. É muito triste, pois a Bahia e em especial Salvador são o berço do boxe brasileiro. Dá tristeza não ter apoio em nosso estado, eu ficaria muito feliz se eu pudesse levar a minha família e meus amigos para ver o espetáculo nos ringues, enfim, é uma pena que isso não aconteça agora.
*Varela Notícias


