Ataque de Israel mata 356 no Líbano, que vive dia mais sangrento em quase 20 anos

Há crianças entre as vítimas; Bombardeios são resposta a foguetes lançados pelo Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã e aliado do Hamas.

O Ministério da Saúde do Líbano informou que 356 pessoas morreram e 1.246 ficaram feridas nesta segunda-feira (23) após um amplo ataque aéreo de Israel no país. Antes do bombardeio, as Forças de Defesa de Israel alertaram a população civil para se afastar de supostas posições e depósitos de armas do grupo extremista Hezbollah. Entre os mortos estão 24 crianças e 42 mulheres, além de profissionais de saúde.

Foto: REUTERS / Aziz Taher

Israel confirmou ter atingido um dos comandantes do Hezbollah, identificado como Ali Karaki, que, segundo a Reuters, era o alvo do bombardeio em Beirute. No entanto, o Hezbollah afirmou que Karaki está bem e foi movido para um local seguro. Os ataques começaram pela manhã nas regiões sul e leste do Líbano, estendendo-se mais tarde a Beirute, capital do país, alvo de um grande ataque na sexta-feira (20). Este dia se tornou o mais sangrento em mais de 18 anos, com cerca de 800 alvos do grupo atacados, conforme relatado pelos militares israelenses.

O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, declarou que dezenas de milhares de foguetes do Hezbollah foram destruídos nos bombardeios. Os moradores das áreas atacadas receberam mensagens de texto e voz alertando sobre a iminência dos ataques, um tipo de aviso não visto em quase um ano de conflito.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou Israel de buscar uma guerra mais ampla no Oriente Médio, enquanto o primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, denunciou um “plano de destruição” executado por Israel. O ministro do Interior do Líbano anunciou a conversão de escolas em abrigos para lidar com o intenso deslocamento de libaneses. As aulas foram canceladas e o Ministério da Saúde ordenou o cancelamento de cirurgias eletivas para dar espaço aos feridos.

Os ataques israelenses se expandiram, atingindo áreas do Vale do Bekaa, que não haviam sido alvo anteriormente. O Hezbollah afirmou ter retaliado disparando “dezenas” de mísseis em direção a Israel, embora os militares israelenses confirmassem 35 disparos.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que está mudando o balanço de forças na fronteira norte e que os bombardeios estão destruindo “milhares” de mísseis e foguetes apontados para Israel.