Trump provoca líderes estrangeiros e defende tarifas: “Nos ligam e beijam minha bunda”

Sob nova política tarifária, presidente afirma que 70 países querem negociar com os EUA para evitar sobretaxas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite de terça-feira (08) que líderes de diversos países têm buscado o governo norte-americano para negociar acordos comerciais a fim de evitar tarifas impostas recentemente por Washington. A declaração foi feita durante jantar do Comitê Republicano do Congresso Nacional (NRCC), em meio à escalada de sua política comercial.

Foto: Reprodução/Andrew Harnik/AP

“Estou dizendo a vocês, esses países estão nos ligando, beijando minha bunda”, disse Trump. “Eles estão morrendo para fazer um acordo: ‘Por favor, senhor, faça um acordo. Eu farei qualquer coisa, qualquer coisa, senhor.’”

Na semana anterior, a administração norte-americana impôs uma tarifa inicial de 10% sobre uma série de produtos importados. A partir de quarta-feira (09), novas tarifas, mais elevadas, entraram em vigor como parte da chamada reciprocal trade agenda — uma estratégia que busca reequilibrar a balança comercial dos EUA com países que mantêm superávit significativo no comércio bilateral com Washington.

Durante a assinatura de uma ordem executiva na Casa Branca, também na terça-feira, Trump declarou que as tarifas já estão gerando retorno positivo. “Eu os chamo de acordos sob medida, não prontos para uso”, afirmou. Segundo ele, os Estados Unidos estariam arrecadando US$ 2 bilhões por dia com a aplicação das tarifas.

Trump acrescentou que cerca de 70 países demonstraram interesse em negociar individualmente com os Estados Unidos, em oposição aos acordos multilaterais adotados por governos anteriores. A proposta da atual gestão é firmar acordos bilaterais ajustados às condições específicas de cada parceiro comercial.

A Casa Branca tem justificado a política tarifária como um mecanismo para buscar maior equilíbrio no comércio internacional e proteger setores considerados estratégicos da economia norte-americana. De acordo com Trump, as tarifas têm também um papel de pressão para que países parceiros revejam práticas comerciais consideradas prejudiciais aos Estados Unidos.

O presidente também relacionou os efeitos das tarifas ao cenário eleitoral interno, projetando uma vitória significativa do Partido Republicano nas eleições legislativas de 2026. “Vamos vencer as eleições de meio de mandato, e será uma vitória retumbante, estrondosa”, disse. “E eu realmente acho que estamos sendo muito ajudados pela situação das tarifas… vai ser lendário, vocês vão ver.”

Apesar das declarações otimistas, o plano tarifário enfrenta críticas, inclusive entre parlamentares do próprio Partido Republicano. Há preocupações com possíveis impactos negativos para consumidores, investidores e setores produtivos dos EUA. No Congresso, já há movimentações para limitar a autoridade do Executivo em impor tarifas por períodos superiores a 60 dias sem aval legislativo.