Brasil cobra explicações de Portugal após agressão a criança brasileira em escola pública

Menino de 9 anos teve dedos amputados e família denuncia omissão da instituição de ensino

Menino teve os dedos decepados em escola de Portugal Foto: Reprodução/Instagram @niestevam98

A Embaixada do Brasil em Portugal cobrou, oficialmente, esclarecimentos do governo português sobre as medidas adotadas após a agressão a um estudante brasileiro de 9 anos, que teve as pontas de dois dedos amputadas dentro de uma escola pública em Cinfães, no distrito de Viseu. O caso gerou forte repercussão internacional.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (18), a Embaixada informou que mantém contato com a família da criança, por meio da representação diplomática em Lisboa e do Consulado-Geral do Brasil no Porto. O embaixador Raimundo Carreiro enviou ofícios aos ministros da Administração Interna e da Educação de Portugal solicitando informações sobre providências e desdobramentos do caso.

O Ministério da Educação português afirmou que já determinou a abertura de investigação. A Inspeção-Geral da Educação e Ciência instaurou um processo de averiguações, enquanto o Agrupamento de Escolas de Souselo conduz um inquérito interno para apurar responsabilidades.

A mãe do menino, Nivia Estevam, relatou o episódio nas redes sociais. Segundo ela, duas crianças teriam prendido os dedos do filho na porta do banheiro, impedindo-o de sair para pedir ajuda. O garoto perdeu muito sangue, arrastou-se para fora e passou por uma cirurgia de três horas no Hospital de São João, no Porto. Ela afirma que o filho sofrerá sequelas físicas e psicológicas.

A mãe também acusa a escola de negligência, alegando que outras agressões — incluindo puxões de cabelo e enforcamento — já haviam sido relatadas anteriormente, sem que medidas fossem adotadas. No dia do incidente, segundo ela, a direção não acionou imediatamente as autoridades e ainda mandou limpar o local antes da chegada da família.

A defesa da escola sustenta que os procedimentos de socorro foram seguidos de forma adequada, mas não apresentou detalhes por causa do inquérito em andamento.

Após a repercussão, um grupo de 15 advogados se ofereceu para atuar gratuitamente na defesa da família. Eles devem formalizar queixa ao Ministério Público e acompanhar o caso nas esferas administrativa, civil e possivelmente criminal.