
O Vaticano declarou oficialmente que Jesus Cristo é o único redentor da humanidade e que a Virgem Maria não deve ser chamada de “corredentora”. A orientação foi publicada nesta terça-feira (4) em um decreto aprovado pelo papa Leão XIV e divulgado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, órgão responsável por definir a interpretação oficial da doutrina católica.
Segundo o texto, o uso do título “corredentora” pode causar interpretações equivocadas e “desequilíbrio na harmonia das verdades da fé cristã”, ao sugerir que Maria teria participado da salvação do mundo de forma semelhante a Cristo. “Não é apropriado usar esse título”, diz o documento. “Tal expressão pode obscurecer a única mediação salvífica de Jesus.”
O decreto, no entanto, reconhece o papel de Maria como mãe de Jesus e colaboradora no plano divino. Ela é descrita como “intermediária entre Deus e a humanidade”, por ter aceitado dar à luz o Filho de Deus, abrindo “as portas da Redenção aguardada pela humanidade”. Ainda assim, a Igreja enfatiza que sua participação é subordinada e não compartilhada com a missão redentora de Cristo.
A publicação encerra um debate que se estendeu por décadas dentro da Igreja Católica. O termo “corredentora” já havia sido usado por líderes religiosos, inclusive por João Paulo II em alguns discursos. Porém, o próprio pontífice abandonou a expressão nos anos 1990, após manifestações do então Escritório para a Doutrina da Fé, que alertava para o risco de confusão teológica.
Com a nova diretriz, o Vaticano busca reforçar a centralidade de Jesus Cristo na fé cristã e unificar o entendimento entre fiéis, bispos e teólogos sobre o papel de Maria na história da salvação.



