Influenciador é preso em Hong Kong após zombar de vítimas do incêndio mais mortal da cidade

Caso reacende debate sobre limites da liberdade de expressão e responsabilidade de criadores de conteúdo

© Reprodução / Redes Sociais

O influenciador digital Kenny, de 26 anos, foi detido em Hong Kong após publicar vídeos e fotos ironizando as vítimas do incêndio que devastou um complexo residencial no distrito de Tai Po, considerado o mais mortal da história moderna da cidade. No início deste mês, 159 pessoas morreram no desastre.

Conhecido no YouTube pelo canal “Kowloon King”, o chinês apareceu sorrindo e fazendo o sinal de “V” diante do prédio ainda em chamas. Segundo o jornal Global Times, além de posar diante da tragédia, ele afirmou que os mortos eram “pecadores” e que o incêndio seria uma forma de “retribuição”, declarando ainda que não mereciam solidariedade. As falas desencadearam forte indignação nas redes sociais, onde internautas classificaram o comportamento do influenciador como cruel e desrespeitoso.

Kenny foi preso sob suspeita de “cometer um ato com intenção sediciosa”, crime previsto na legislação de Hong Kong. Ele já era conhecido por atitudes polêmicas e integraria o grupo “White Card Alliance”, que incentiva comportamentos considerados extremos para gerar repercussão. Caso seja condenado, pode enfrentar até sete anos de prisão.

Investigações do incêndio seguem avançando

Enquanto o caso envolvendo o influenciador se desdobra, autoridades continuam apurando as causas do incêndio em Tai Po. O fogo atingiu um conjunto de oito edifícios dos anos 1980 que passavam por reforma e mobilizou mais de 800 bombeiros durante mais de 24 horas de operação.

As investigações preliminares apontam que materiais usados nas paredes externas das torres não atendiam às normas de resistência ao fogo, o que acelerou a propagação das chamas. Painéis de espuma plástica altamente inflamável também foram encontrados próximos aos elevadores de uma das torres.

A polícia prendeu dois diretores e um consultor ligados à empresa responsável pela obra. Eles são suspeitos de homicídio culposo por “negligência grosseira”, por supostamente não assegurarem condições mínimas de segurança durante a reforma.

A tragédia levantou discussões sobre falhas na fiscalização de reformas em prédios antigos e o uso de materiais inadequados em construções. A prisão do influenciador reacendeu o debate sobre limites da liberdade de expressão e a responsabilidade de criadores de conteúdo diante de situações de grande comoção pública.