Popularidade de Javier Milei cai na Argentina em meio a crise econômica e queda no emprego

Pesquisas indicam aumento da rejeição ao governo e insatisfação com salários e custo de vida.

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Várias pesquisas divulgadas no país nas últimas semanas, segundo o O GLOBO, indicam que a imagem positiva do chefe de Estado oscila entre 38% e 48%, enquanto a rejeição ao governo supera, em alguns casos, os 60%.

Todos os meses, a professora de dança argentina Andrea Gutiérrez, viúva e mãe de dois filhos adolescentes, faz malabarismo para pagar as despesas da família. No ano passado, ela não conseguiu, pela primeira vez, quitar todas as despesas do cartão de crédito.

Em meio a escândalos e acusações de corrupção e privilégios envolvendo o próprio Milei e figuras de sua confiança, entre elas o chefe de Gabinete, Manuel Adorni, além da ausência de resultados na área econômica que indiquem melhora na qualidade de vida das classes média e baixa, o governo enfrenta um cenário de insatisfação social.

Segundo pesquisa realizada pela Universidade de San Andrés, apenas 33% dos argentinos estão satisfeitos com a situação do país, o que representa uma queda de sete pontos percentuais em relação a novembro passado. O levantamento aponta que 38% dos entrevistados aprovam o governo de Milei, enquanto 59% desaprovam.

“Milei está em seu pior momento, mas não é uma catástrofe. O presidente está, a esta altura de seu mandato, melhor do que estavam Mauricio Macri e Alberto Fernández. Agora, nenhum dos dois se reelegeu”, aponta a analista Ana Iparraguirre, estrategista política e vice-presidente da Global Business and Opinion (GBAO).

Ela afirma que o principal fator para o cenário atual é a economia.

“O país cresce, mas esse crescimento é desigual. Na capital e na região da Grande Buenos Aires, os salários não acompanham o aumento de preços. Algumas pesquisas mostram que 46% das pessoas acham que estarão pior daqui a um ano”, diz Iparraguirre.

O último episódio envolvendo o governo foi relacionado a Manuel Adorni. A confirmação de que a esposa do chefe de Gabinete o acompanhou em uma viagem oficial a Nova York provocou críticas. As explicações não convenceram parte da opinião pública.

Em paralelo, avançam investigações judiciais sobre a suposta participação de Milei na promoção da criptomoeda Libra. Segundo versões publicadas pela imprensa local, o presidente teria recebido cerca de US$ 5 milhões (R$ 26,5 milhões).

Analistas apontam que a situação econômica segue como principal fator de desgaste. O cenário foi agravado por reajustes recentes no preço dos combustíveis em consequência da guerra no Oriente Médio, impactando setores que formam a base de apoio do presidente.

“Milei está perdendo o respaldo de homens jovens, que sempre o ajudaram a compensar a falta de respaldo entre as mulheres”, diz a vice-presidente da GBAO.

Outra pesquisa, realizada pela consultoria Hugo Haime e Associados, mostra 37% de apoio à gestão de Milei, 39% de imagem positiva do presidente e 61% de avaliação negativa.

De acordo com o levantamento, 36% dos entrevistados apontam preocupação com os baixos salários e 28% com a corrupção. Para 64%, o governo é o principal responsável pela crise, enquanto 28% atribuem o cenário a gestões anteriores.

“A falta de emprego e os salários atrasados prejudicam principalmente os que moram na capital e na Grande Buenos Aires. São setores que antes foram favorecidos por subsídios que Milei eliminou”, diz Ignacio Labaqui, consultor e professor da Universidade Católica Argentina (UCA).