Reforma da Previdência na Alemanha prevê aposentadoria aos 70 anos e redução de benefícios

Pacote de mudanças apresentado pelo governo alemão prevê aumento gradual da idade de aposentadoria, fim de incentivos à saída precoce do mercado de trabalho e criação de fundos de investimento para complementar a Previdência.

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O governo da Alemanha apresentou um amplo pacote de reformas da Previdência que poderá elevar a idade de aposentadoria para até 70 anos nas próximas décadas, além de reduzir os benefícios para trabalhadores que optarem por se aposentar antecipadamente. As propostas foram recebidas com apoio de grupos conservadores, mas provocaram críticas de partidos da oposição e de sindicatos.

As 33 medidas foram elaboradas por uma comissão formada por 13 especialistas e políticos e apresentadas oficialmente em Berlim pelo chanceler alemão, Friedrich Merz. Segundo o governo, o objetivo é garantir a sustentabilidade do sistema previdenciário diante do envelhecimento da população.

Uma das principais mudanças prevê que a idade legal de aposentadoria passe a ser vinculada à expectativa de vida. Pelos cálculos da Comissão Europeia, a idade mínima chegará a 67,5 anos em 2041 e, caso a expectativa de vida continue aumentando, poderá atingir 70 anos em 2091.

O pacote também prevê o fim da aposentadoria antecipada sem redução de benefícios para trabalhadores que contribuíram por 45 anos. Atualmente, esse grupo pode se aposentar até dois anos antes da idade legal. A comissão argumenta que a medida gera custos elevados e beneficia, principalmente, pessoas de maior renda.

Outra proposta estabelece descontos maiores para quem decidir se aposentar antes da idade mínima. A medida pode afetar uma parcela significativa da população, já que uma pesquisa recente do instituto Forsa apontou que 44% dos alemães gostariam de deixar o mercado de trabalho mais cedo.

As mudanças foram alvo de críticas por parte dos sindicatos. Christiane Benner, presidente do sindicato IG Metall, afirmou que a proposta “ignora completamente” a realidade de vida e de trabalho dos operários da indústria.

Além disso, o governo pretende ampliar os investimentos previdenciários no mercado de capitais. Inspirado em modelos adotados em países como a Suécia, o plano prevê a criação de contas individuais de investimento para complementar a aposentadoria estatal, com uma contribuição adicional equivalente a 2% do salário bruto, dividida entre empregador e empregado.

As propostas ainda precisam passar pelo processo de aprovação política e prometem intensificar o debate sobre o futuro da Previdência e os impactos das mudanças para os trabalhadores alemães.