Fome no mundo cai pelo terceiro ano consecutivo, mas ainda afeta 645 milhões de pessoas

Relatório da FAO mostra redução da fome e da insegurança alimentar em 2025, mas alerta para desigualdades entre continentes e o alto custo de uma alimentação saudável.

Foto: Pixapay

A fome no mundo diminuiu pelo terceiro ano consecutivo e atingiu 645 milhões de pessoas em 2025, o equivalente a 7,8% da população mundial. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (21) no relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI), elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em parceria com o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Unicef. Em relação a 2024, cerca de 14 milhões de pessoas deixaram a condição de fome, enquanto a redução chega a 43 milhões na comparação com 2022.

O estudo também aponta melhora na insegurança alimentar moderada ou grave, que passou a atingir 25,8% da população mundial, cerca de 2,1 bilhões de pessoas. Apesar do avanço, a recuperação ocorre de forma desigual. A África continua sendo o continente mais afetado, com aproximadamente 309 milhões de pessoas em situação de fome, enquanto mais da metade da população africana enfrenta algum grau de insegurança alimentar. Durante a apresentação do relatório, em Roma, o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, afirmou que acabar com a fome exige “compromisso político, investimento sustentado e políticas que tornem dietas saudáveis acessíveis”.

O relatório também alerta que 2,69 bilhões de pessoas ainda não conseguem pagar por uma alimentação saudável. Segundo o documento, conflitos armados, mudanças climáticas, eventos extremos, como o El Niño, e a redução do financiamento internacional para ações humanitárias podem comprometer os avanços obtidos nos últimos anos. A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, destacou que o combate à fome depende de políticas públicas eficazes e que o alto custo dos alimentos saudáveis continua sendo um dos principais obstáculos para garantir o direito à alimentação adequada.